Utentes das urgências de Évora esperaram mais de 18 horas por atendimento

Hospital reconhece que "com a falta de médicos, nesta altura, há um aumento do tempo de espera" por parte dos utentes das urgências.

Utentes das urgências do hospital de Évora esperaram, entre sexta-feira e hoje, mais de 18 horas para serem atendidos, disseram à agência Lusa fontes da unidade de saúde, apontando como um dos motivos a falta de médicos.

De acordo com as mesmas fontes, as equipas médicas das urgências estiverem desfalcadas na sexta-feira, o que levou a um aumento do tempo de espera dos utentes, tendo alguns, que entraram nas urgências na sexta-feira à tarde, sido atendidos hoje de manhã.

Contactado hoje pela Lusa, o gabinete de comunicação e marketing do hospital confirmou que, "com a falta de médicos, nesta altura, há um aumento do tempo de espera" por parte dos utentes das urgências, "ultrapassando o recomendado".

"Todavia, os nossos profissionais estão a fazer todos os possíveis para dar resposta aos nossos utentes com os recursos existentes", sublinhou o mesmo gabinete do hospital.

O porta-voz da Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, Mário Simões, confirmou também hoje à Lusa que se verificou na sexta-feira um aumento da afluência às urgências hospitalares.

No entanto, o porta-voz da ARS alegou que "a maior parte" dos utentes que se deslocou às urgências poderia ter optado por ser atendida em centros de saúde ou unidades de saúde familiares, que "estão a funcionar com horário mais alargado".

Segundo as mesmas fontes, as urgências hospitalares tem vindo, durante o dia de hoje, a "normalizar" o atendimento.

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...