Utentes da saúde fazem fila para receber dinheiro

Meia centena de pessoas aguardava às 9.00 pela abertura do Instituto da Administração da Saúde e Assuntos Sociais da Madeira (IASAUDE) para receber reembolsos dos atos médicos, pagamento que decorre com normalidade.

O pagamento dos reembolsos de consultas e exames complementares de diagnóstico, que esteve suspenso durante um mês devido a dificuldades de tesouraria do Governo da Madeira, foi hoje retomado, desencadeando uma fila que se começou a formar pelas 7.30.

A fila, que se estendia da rua das Pretas à rua da Carreira, no Funchal, diluiu-se uma hora depois, mas no interior das instalações permanece um grande movimento de utentes.

José Ferreira, de 46 anos, residente na capital da Madeira, foi o segundo a chegar: "Venho receber duas vezes 7,48 euros de consultas do dentista" e o dinheiro vai servir "para carregar o Giro [título de transporte] e comprar pão".

O utente, desempregado, justificou: "É pouco mas sempre dá jeito, a reforma da minha mãe só chega dia 10".

José Ferreira manifestou preocupação com um eventual corte nos reembolsos decorrente do plano de ajustamento financeiro da região: "Tenho medo que acabe, mas penso que não vai acabar", declarou.

Mais atrás na fila, João dos Santos, de 71 anos, residente na Ponta do Sol, não escondia a indignação pelo facto de terem sido suspensos os reembolsos: "É duro, nunca vi a minha terra assim, a nossa Madeira foi abaixo".

O idoso, que se preparava para receber 130 euros, lamentou que não houvesse dinheiro para a saúde.

"O dinheiro faz-me muita falta, preciso deste dinheiro porque não tenho outro", desabafou, explicando que a "reforma é pequena".

A presidente do IASAUDE, Ana Nunes, garantiu que o pagamento decorre com normalidade.

"O que pedimos às pessoas é que tenham alguma atenção aos períodos a que corresponde o pagamento do recibo", apelou Ana Nunes, explicando: "Se corresponde à primeira semana de janeiro, devem vir esta semana de fevereiro e assim sucessivamente até ao fim do mês, para que os serviços possam fluir sem grandes constrangimentos para os próprios utentes".

A responsável reconheceu que da parte dos utentes há uma certa ansiedade e necessidade pelo valor dos reembolsos.

"Da parte da população nós sentimos isso, mas vamos ser tolerantes. Se chegar aqui alguém ao balcão com alguma dificuldade e que não corresponda esta semana, nós iremos fazer o pagamento", afiançou.

Ana Nunes disse ainda esperar que a situação que ocorreu em janeiro seja "transitória e não se volte a repetir".

"Tudo indica que para o futuro estas situações não se irão repetir, porque estamos a trabalhar diretamente com a Secretaria das Finanças", acrescentou, estimando que este mês o IASAUDE pague cerca de 150 mil euros relativos a 4.000 reembolsos relativos a consultas e exames complementares de diagnóstico.

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