Urgências hospitalares. Do caos à "absoluta normalidade"

Bastonária dos Enfermeiros denunciou situação caótica. Administrações garantem que situação já está regularizada

O presidente da Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN) negou hoje casos de "caos" ou "alarmismo" nos hospitais da região, garantindo que "todos" funcionam "com absoluta normalidade" e "capacidade de resposta" a uma maior procura nas urgências. E esta foi o discurso das administrações dos vários hospitais que haviam sido apontados como exemplos do caos pela bastonária da Ordem dos Enfermeiros.

"Sem profissionais e com novos serviços - ditos serviços para gripe que são abertos nesta altura -, os doentes acumulam-se, os tempos de espera aumentam e está o caos instalado na maior parte das urgências do país", apontou Ana Rita Cavaco no sábado ao início da noite.

Questionada pela agência Lusa sobre quais são os hospitais mais críticos, Ana Rita Cavaco deu o exemplo de Faro, onde esteve o presidente da secção regional do Sul da Ordem, "porque inclusive um enfermeiro da triagem foi ameaçado, as pessoas não compreendem, estão desesperadas".

Ou seja, está-se "a falar de tempos de espera superiores a 20 horas, isto para os menos urgentes, porque para os laranjas que são os muito urgentes", os tempos de espera são "de seis horas", o que "é inadmissível", continuou Ana Rita Cavaco.

Também os Hospitais da Universidade de Coimbra estavam a ser afetados, segundo a bastonária, que apontou que no serviço de urgência os doentes estavam "todos misturados, doentes com meningite, doentes com outras infeções, não há controlo de infeção".

Neste hospital "estavam mais de 170 pessoas na urgência, mais 30 à espera de ser triadas", disse.

No caso do hospital de Leiria, foram retirados "enfermeiros dos cuidados intensivos, deixando esses doentes em insegurança para pôr os enfermeiros nas urgências porque não têm", denunciou.

Esta manhã, a Ordem dos Médicos assumiu que há situações anómalas e graves nas urgências de alguns hospitais nos últimos dias, embora não generalize o panorama a todas as unidades do país.

"Na última semana houve algumas situações complicadas", afirmou hoje o bastonário dos Médicos, Miguel Guimarães, em declarações à agência Lusa.

Um dos casos é o do hospital de Vila Nova de Gaia, que teve nos últimos dias "uma afluência muito elevada" de utentes à urgência e que tem 24 pessoas internadas no serviço de urgência. "Isto, por exemplo, é caótico, de facto", comentou Miguel Guimarães, que também deu o exemplo do Hospital de Faro, referindo que nos últimos dias se chegaram a registar esperas de 20 horas nas urgências.

"Faro tem problemas gravíssimos, há muito. Inclusive tem escalas de médicos incompletas e muitas vezes só asseguradas por internos", afirmou.

Mais tarde, o gabinete de comunicação do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA), garantiu que "o atendimento no Serviço de Urgência (SU) foi normalizado ao início da noite de sábado, mantendo-se hoje os tempos normais para o atendimento dos utentes". Segundo a mesma fonte, o aumento do tempo no atendimento "deveu-se a um pico anormal na afluência de utentes à urgência, situação que foi ultrapassada".

O administrador do Hospital de Guimarães acusou a bastonária da Ordem dos Enfermeiros de "agitar o fantasma do caos" nos serviços de urgência e assegurou que, naquela unidade, "os tempos de espera estão perfeitamente sob controlo".

"É verdade que nesta altura do ano há uma procura acrescida dos serviços de urgência, mas as equipas foram reforçadas e não há caos nenhum, os tempos de espera estão perfeitamente sob controlo", disse à Lusa o presidente do Conselho de Administração do Hospital da Senhora da Oliveira, em Guimarães.

"No nosso hospital, não há caos nenhum, isso é absolutamente falso", referiu Delfim Rodrigues, que acusou a bastonária da Ordem dos Enfermeiros de "agitar o fantasma do caos", deixando as pessoas "intranquilas e inseguras".

Em Coimbra, os serviços de urgência do Centro Hospitalar e Universitário têm tido nesta época do ano uma procura idêntica à registada no mesmo período de 2016, disse a ARS do Centro. "O movimento no serviço de urgência (SU) do CHUC tem sido normal, com valores de afluência sobreponíveis aos do ano passado e tempos médios de espera sem desvios marcantes na procura", assegurou, questionada pela agência Lusa, a Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC).

O Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho assegurou, por seu lado, que o serviço de urgência está "a funcionar regularmente, dentro do expectável para o período do ano", e que os "tempos-alvo de espera estão a ser cumpridos".

Num comunicado divulgado na sequência de notícias dando conta de problemas no serviço de urgência deste hospital, o Centro Hospitalar de Gaia/Espinho admite que "neste período" o "afluxo de doentes às urgências é maior, com grande predominância de doentes idosos com problemas respiratórios graves", mas recusa anomalias no funcionamento do serviço.

O presidente da Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN) negou casos de "caos" ou "alarmismo" nos hospitais da região, garantindo que "todos" funcionam "com absoluta normalidade" e "capacidade de resposta" a uma maior procura nas urgências.

Em declarações à Lusa, o presidente do Conselho Diretivo da ARS-N, Pimenta Marinho, destacou ainda que, "nestes dias", existe, "em todos os Agrupamentos de Centros de Saúde da região, "pelo menos um Centro de Saúde a funcionar com um reforço de recursos humanos e horários alargados", destacando que estas unidades têm sempre "tempos de espera inferiores aos dos hospitais".

"Não há nenhum caos ou alarmismo. A região Norte está preparada para responder a todas as situações. Os hospitais têm estado com capacidade de resposta, prepararam os seus planos de contingência e têm um número adequado de funcionários. Há uma absoluta normalidade na região Norte, hoje como nos últimos dias", frisou Pimenta Marinho.

* com Lusa

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