Um milhão visita Santíssima Trindade

A visita anual de um milhão de peregrinos à Igreja da Santíssima Trindade, que cumpre hoje cinco anos após a inauguração, prova que a sua construção era necessária, disse à agência Lusa o bispo de Leiria-Fátima, António Marto.

"Muitas vezes se colocou o problema: será que é precisa? Durante o ano celebram-se lá 500 eucaristias e o número de participantes ronda o milhão [por ano], o que significa que é muito frequentada", sublinhou António Marto.

O bispo defendeu, também, que a elevação a categoria de basílica menor, em junho deste ano, é um dos marcos do templo, que custou, em 2007, cerca de 70 milhões de euros.

"É o reconhecimento [da basílica] como centro de peregrinação, pelo facto de expressar a dimensão da mensagem de Fátima e fazer da ligação do peregrino e do Santuário ao ministério de [São] Pedro e à igreja universal", sustentou.

António Marto frisou que "a Igreja da Santíssima Trindade foi construída para corresponder a uma necessidade prática dos peregrinos, sobretudo no tempo de inverno (...), mas também da necessidade de dar visibilidade a outra dimensão do Santuário".

Para o bispo, "a mais-valia" que representa para o Santuário de Fátima, uma vez que "é uma obra que o projeta a nível nacional e internacional (...) pela sua grandeza arquitetónica, pela sua beleza interior e pela pluralidade de valências que possui".

A obra, porém, não é consensual. No átrio, junto aos painéis do arquiteto Siza Vieira, o peregrino Edgar Gomes, de 61 anos, admitiu à agência Lusa a modernidade do templo, mas defendeu que "está fora do contexto" do Santuário de Fátima.

"É bonita, mas é arte moderna e está desenquadrada. Acho mais bonita a basílica [antiga]. São gostos. Quem construiu aquilo possivelmente julgou que era o melhor, mas pessoalmente não gosto", disse, acabado de chegar de Sintra para cumprir a sua sexta peregrinação a pé.

"Nós ouvimos isso lá dentro. Um senhor de idade achou estranho. As pessoas de mais idade têm dificuldade em entender arte moderna", afirmou à Lusa Clari Todeschini, uma brasileira de Rio Grande que está de visita a Portugal.

"É maravilhosa. Muita emoção, arte, uma emoção indescritível. Já tínhamos ouvido falar [da igreja] no Brasil e, por isso, estamos aqui", elogiou à saída do templo, que observou pela primeira vez.

Com projeto da autoria do arquiteto grego Alexandros Tombazis, a Igreja da Santíssima Trindade tem duas zonas principais: uma dedicada à reconciliação e outra à nave principal, que forma um círculo de 125 metros de diâmetro, com capacidade para quase nove mil lugares sentados.

As quatro capelas menores têm uma capacidade entre 140 e 400 lugares sentados, a que se somam 48 confessionários, unidos por um grande átrio que serve de apoio aos peregrinos.

No interior do templo, o visitante pode apreciar obras de Siza Vieira, Pedro Calapez, Kerry Joey Kelly (Canadá), Maria Loizidou (Chipre), Catherine Green (da Irlanda), entre vários autores.

Uma das peças com maior impacto é a parede de fundo do altar, com mais de 500 metros quadrados, que inclui vários desenhos de inspiração ortodoxa sobre folha de ouro em relevo da autoria do esloveno Marko Ivan Rupnik.

A dedicação da Igreja da Santíssima Trindade foi presidida pelo Secretário de Estado do Vaticano, Tarcísio Bertone.

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