UGT rejeita acusações do CDS de "institucionalização da cunha" na regularização de precários

UGT disse que "afirmações graves" de Assunção Cristas esquecem "o trabalho que os sindicalistas têm todos os dias"

A UGT rejeitou "veemente" as "afirmações graves" da líder do CDS-PP, que acusou hoje o Governo de querer "institucionalizar a cunha" no processo de regularização de precários na Função Pública.

"Estas são afirmações graves e que merecem a veemente rejeição da UGT e não deixam de causar surpresa quando proferidas por alguém que teve já responsabilidades governativas", afirmou, em comunicado, a União Geral dos Trabalhadores (UGT).

A organização sindical considerou que as afirmações de Assunção Cristas esquecem "o trabalho que os sindicalistas têm todos os dias nos locais de trabalho de todo o país", além de "ignorar que quem opta por não se sindicalizar" pode "exigir a apreciação da sua situação em concreto".

"Se a ex-ministra [do Governo de coligação PSD/CDS-PP] se queria referir a alguém em concreto, deveria ter a coragem de o afirmar, lê-se no comunicado da UGT.

A UGT não aceita ser incluída, de forma difusa, no 'caldeirão' da confusão que resulta da apreciação da presidente do CDS-PP

No encerramento das jornadas parlamentares do CDS-PP, Assunção Cristas disse que o partido está preocupado com várias situações de "atropelamento diário de regras" e apontou como exemplo o processo de regularização dos trabalhadores precários na Função Pública.

"Hoje somos surpreendidos com a notícia de mais um atropelo: o Governo vai dar a voz aos sindicatos para, não diria selecionar, mas pelo menos meter a cunha", afirmou.

Os trabalhadores precários do Estado podem pedir a avaliação da sua situação entre 11 de maio de 30 de junho, de acordo com a portaria publicada hoje em Diário da República.

Durante este período, os sindicatos podem também alertar os dirigentes máximos dos serviços para situações de precariedade de que tenham conhecimento e que pretendam ver avaliadas.

"É a institucionalização da cunha pelos sindicatos", criticou Assunção Cristas, dizendo que, a confirmar-se, o grupo parlamentar do CDS-PP deverá chamar o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Vieira da Silva, a dar explicações na Assembleia da República.

Na portaria, assinada pelos ministros do Trabalho e das Finanças, está previsto que as associações sindicais e as comissões de trabalhadores possam "comunicar aos dirigentes máximos dos órgãos, serviços ou entidades as situações de exercício de funções que correspondam a necessidades permanentes e sem o adequado vínculo laboral de que tenham conhecimento".

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