UGT e CGTP contestam serviços mínimos nos transportes

Os secretários-gerais da UGT e da CGTP, João Proença e Carvalho da Silva, consideraram hoje inaceitável o facto de terem sido decretados serviços mínimos em algumas empresas públicas de transportes para a greve geral.

"Não é minimamente aceitável" terem sido decretados serviços mínimos, afirmou João Proença aos jornalistas no Parlamento, no final da audição do Conselho Económico e Social (CES).

"Vamos ver o que decide o tribunal, que vai reavaliar a questão e estamos convencidos que haverá aí algum mal entendido", disse, acrescentando que "a confirmar-se estes 50 por cento dos serviços mínimos, a UGT promete contestar de todas as formas".

Pelo lado da CGTP, também Carvalho da Silva considerou ilegal imposição de serviços mínimos de 50 por cento nos transportes.

O secretário-geral da central sindical classificou a greve geral de quinta-feira como "um sacrifício indispensável", antecipando uma grande paralisação.

"Vamos ter uma grande greve e ela deve ser entendida como um sacrifício indispensável para se encontrarem caminhos de futuro", afirmou o secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, em declarações aos jornalistas no final de um encontro com a direção do PSD na sede do partido.

Sublinhando que a greve é uma "necessidade que se impõe" e que "o direito à greve é um direito efectivo", Carvalho da Silva repudiou as tentativas de se obrigar ao cumprimento de serviços mínimos.

"Lamentamos que continuem por aí a haver pronunciamentos, tentativas de haver serviços mínimos", disse.

Questionado se entende como uma tentativa de minimizar os efeitos da greve o facto do tribunal arbitral ter estipulado 50 por cento de serviços mínimos na Carris e nos STCP, o secretário-geral da CGTP respondeu de forma perentória: "É evidente".

"Primeiro tentam eliminar possibilidades dos trabalhadores fazerem greve para depois vir dizer que os trabalhadores não fizeram greve. São decisões ilegais", vincou, insistindo que "o direito à greve é um direito efectivo e os trabalhadores não podem aceitar ilegalidades".

Fontes oficiais da Carris e a Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) afirmaram à Lusa que já tinham sido definidos serviços mínimos para a greve de quinta-feira.

No caso da STCP, o Tribunal Arbitral definiu o funcionamento de 50 por cento do regime normal das linhas 200, 205, 300, 301, 305, 400, 402, 500, 501, 508, 600, 602, 603, 701, 702, 801, 901, 902, 903, 905, 907, 4M e 5M.

Em Lisboa, a Carris deverá assegurar o funcionamento em 50 por cento do regime normal das carreiras 12, 36, 703, 708, 735, 738, 742, 751, 755, 758, 760, 767 e 790, bem como do transporte exclusivo de deficientes.

Esta será a terceira greve geral em que a CGTP e UGT se juntam, mas apenas a segunda greve conjunta das duas centrais sindicais portuguesas, já que em 1988 a CGTP decidiu avançar e a UGT, autonomamente, também marcou uma greve geral para o mesmo dia.

A greve de quinta-feira foi marcada após o Governo ter anunciado novas medidas de austeridade, nomeadamente a suspensão dos subsídios de férias e de Natal na função pública, assim como o aumento do tempo de trabalho no setor privado.

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