Três dos detidos ficam em prisão preventiva

As seis pessoas detidas em Portugal no âmbito de uma operação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) que desmantelou uma rede criminosa de casamentos de conveniência já foram ouvidas em tribunal e três ficaram em prisão preventiva.

A operação, de nome "Xeque ao Rey", decorreu na terça-feira e foi o culminar de sete meses de investigação. Foi também a primeira operação resultante de uma equipa de investigação conjunta entre vários países europeus, neste caso Portugal, Reino Unido e França.

Na sequência desta operação, e no cumprimento de vários mandados judiciais, foram efetuadas seis buscas em domicílios, três buscas e apreensão de veículos e uma a estabelecimento comercial, que resultaram na detenção de seis pessoas -- quatro homens e duas mulheres, para além da apreensão de 1,5 quilos de haxixe, documentos, computadores e telemóveis.

O advogado de uma das mulheres disse hoje à agência Lusa que os detidos foram todos ouvidos entre a noite de quarta-feira, dia 21, e a noite de quinta-feira, dia 22, tendo sido aplicadas medidas de coação diferentes às seis pessoas.

Em relação às mulheres, estavam as duas acusadas de associação criminosa e ficaram obrigadas a apresentações periódicas.

O mesmo advogado adiantou que, em relação aos quatro homens, dois estavam acusados de casamento de conveniência, associação de auxílio à imigração ilegal e associação criminosa, tendo ficado em prisão preventiva. O terceiro, que ficou sujeito à mesma medida de coação, estava acusado de associação criminosa e falsificação ou contrafação de documentos.

O quarto elemento masculino estava apenas acusado por associação criminosa, mas segundo o advogado com quem a Lusa falou, os indícios eram "muito fracos" e o juiz acabou por lhe decretar Termo de Identidade e Residência, a medida de coação menos gravosa.

Em Portugal, a operação "Xeque ao Rey" decorreu em diversos locais da zona de Lisboa e a sul do Tejo. Para além dos seis mandados de detenção, foi também executado um mandado de detenção europeu.

Para além das seis pessoas detidas em Portugal, foram detidas mais 17 pessoas no global da operação, contabilizando assim 23, entre 10 detenções em França e outras sete no Reino Unido. As duas mulheres detidas em Portugal são de nacionalidade portuguesa e funcionavam como angariadoras.

Segundo o SEF, esta rede criminosa dedicava-se a angariar homens e mulheres portugueses "em situação económica precária" para casarem com cidadãos estrangeiros em vários países europeus, a troco de avultadas somas em dinheiro, entre 15 mil a 20 mil euros.

Os casamentos realizavam-se em países como Espanha, França, Suécia, Reino Unido, Dinamarca e Alemanha e a maioria dos "noivos" era oriunda de países indoestânicos, como a Índia, o Paquistão ou o Bangladesh, mas também da Nigéria.

Nesta operação estiveram envolvidos 120 agentes, entre 50 em França, 40 em Portugal e 30 no Reino Unido.

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