Trabalhadores de cantinas em luta por melhores salários

Cerca de três centenas de trabalhadores de cantinas de todo o país responderam esta manhã ao apelo da FESAHT, e concentraram-se em frente à sede da AHRESP em Lisboa em protesto por melhorias salariais e condições de trabalho.

A FESAHT - Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal entregou na Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) uma moção em que exige das empresas do setor e respetiva associação patronal a "negociação imediata dos aumentos salariais justos para 2011 e 2012" e o "recomeço imediato das negociações da revisão do Contrato Coletivo de Trabalho, sem perda de direitos".

"São trabalhadores de cantinas e refeitórios de fábricas, hospitais, escolas de todo o país que estão hoje mais uma vez concentrados em frente à AHRESP, para protestar contra o boicote que está a ser feito à negociação do contrato coletivo de trabalho e pela melhoria dos salários", declarou à Lusa, Joaquim Pires, coordenador da federação afeta à CGTP.

A FESAHT protesta ainda contra a precariedade e a proliferação de "contratos a termo, sem justificação, ou o recurso desmesurado a empresas de trabalho temporário", afirmou Joaquim Pires.

"Queremos o respeito pelos direitos específicos dos contratos -- como subsídio de alimentação, melhoria de pagamento de trabalho extraordinário, etc., mas estamos aqui também para nos batermos contra as más condições de trabalho, de um modo geral, e contra os horários escravizantes que estão a ser impostos aos trabalhadores, podendo ir às 10, 12 e mesmo 14 horas diárias", concluiu o sindicalista.

A situação descrita "é ainda mais complicada para os trabalhadores das cantinas e refeitórios das escolas", disse Joaquim Pires. "As empresas concessionárias, quando fazem os cadernos de encargos com o Estado não os cumprem. Os salários que praticam estão na casa do salário mínimo nacional, ignoram os direitos específicos, carreiras profissionais, categorias, pelo que se impõe que o Estado exerça o seu dever de intervir, obrigando ao cumprimento dos cadernos de encargos, através de uma fiscalização efetiva", explicou.

Por outro lado, em relação a estes trabalhadores - que, de acordo com a FESAHT, ascendem a cerca de 7 mil, num universo de cerca de 19 mil de todo o setor - a federação afeta à CGTP está a reivindicar um aumento intercalar no início do próximo ano escolar, a ser contemplado nos cadernos de encargo para o próximo ano.

Em concreto, a FESAHT pede "um aumento que, no mínimo, reponha o poder de compra perdido, na ordem da subida da inflação, acrescido de uma contribuição para o aumento real da capacidade de compra dos trabalhadores, através do reconhecimento da produtividade e do trabalho prestado", explicou Joaquim Pires.

"Os dados estatísticos do INE mostram-nos que o nosso setor, ainda que com alguns problemas, tem alguma pujança económica. Basta ver o crescimento dos preços das refeições entre 2009 e 2011. Portanto, consideramos que as empresas têm capacidade para responder positivamente às reivindicações dos trabalhadores e só não o fazem porque estão neste momento à boleia da crise", considerou Joaquim Pires.

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, junta-se esta tarde à FESAHT em frente ao Ministério da Educação, onde deixará ao ministro da pasta, Nuno Crato, uma moção que traduz na "tentativa de o sensibilizar para os problemas dos trabalhadores do setor na altura em que as escolas estiverem a renegociar os cadernos de encargos, pedindo-lhe que oiça os sindicatos previamente" à assinatura dos mesmos, indicou ainda o coordenador da FESAHT.

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