Torres Vedras quer Entrudo como património da humanidade

A câmara de Torres Vedras pretende avançar com uma candidatura do carnaval a património imaterial da humanidade da Unesco por manter há, pelo menos, 90 anos tradições únicas do Entrudo português, disse hoje o presidente da câmara.

"Uma candidatura é algo que estamos a ponderar muito bem pelas características únicas do nosso carnaval, que tem quase um século", afirmou à agência Lusa Carlos Miguel.

O autarca destacou a participação "espontânea e contagiante" dos milhares de mascarados que se juntam todos os anos aos festejos e "a sátira política e social aguçada" como fatores que diferenciam há pelo menos 90 anos o carnaval de Torres Vedras de outros carnavais existentes no país.

Desde há quase um século que os mascarados de Torres Vedras seguem a atualidade política e social e hoje não faltaram novos papas indigitados e até matrafonas "Gabrielas", numa alusão à novela brasileira que voltou a passar nos canais nacionais.

Em cima dos carros alegóricos, o ex-primeiro-ministro José Sócrates e o ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, entram burros na máquina da reciclagem - o tema do carnaval desde ano - e saem doutores, de canudo na mão.

Merkel surge em cima de um enorme dragão a dominar toda a Europa, enquanto um monstro dos mercados, criado na sequência da intervenção da 'troika', devora os Zés Povinhos sob o olhar do primeiro-ministro, do ministro das Finanças, do ministro dos Negócios Estrangeiros e do Presidente da República, que retêm o dinheiro dos seus impostos.

Numa roleta russa, os primeiros-ministros, desde Mário Soares a Passos Coelho abusam do Zé Povinho que, desmoralizado com o seu país, segue dentro do autocarro da emigração num outro carro alegórico.

O Carnaval de Torres Vedras gera receitas na economia local de cerca de 3,5 milhões de euros e foi visitado este ano por cerca de 350 mil pessoas.

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