Torres Vedras integra deficientes no mercado de trabalho

O Centro de Formação Profissional da Associação Para a Educação de Crianças Inadaptadas (APECI) de Torres Vedras, que oferece alternativas de formação a portadores de deficiências, é cada vez mais procurado devido aos índices de empregabilidade alcançados.

No Centro, onde chegam pessoas com necessidades especiais dos vários concelhos da região, diversos técnicos trabalham na formação para a vida de pessoas com necessidades educativas especiais e na sua integração profissional.

"Cada vez procuram-nos mais", assume a diretora Ana Margarida Severiano, explicando que existem 15 a 20 jovens em lista de espera no período de candidaturas de setembro e outros seis a dez em abril, dado o êxito do trabalho desenvolvido.

Grande parte rejeitou a escola regular e encontra motivação na componente prática dos cursos, razão pela qual a taxa de desistência é de apenas 10%.

A APECI tem também acordos com empresas da região que, no âmbito da sua responsabilidade social, acolhem estágios e acabam, em muitos casos, por fazer contratos de trabalho com estes alunos.

É o caso da empresa Queijo Saloio, que emprega mais de cem trabalhadores, três com formação na APECI.

Enjoada dos queijos que diariamente lhe passam pelas mãos há anos, Ana Lourenço fez um percurso escolar alternativo devido aos seus défices cognitivos, mas há 23 anos teve a sua oportunidade nesta fábrica.

Enquanto embala queijos, Ana Lourenço, 46 anos, conta à agência Lusa que a oportunidade veio dar-lhe o "único" contrato de trabalho que conseguiu e que procura manter.

"Espero continuar, porque o ordenado faz-me falta e também a companhia dos colegas, que ajudam a distrair", diz, entre frases por vezes difíceis de articular.

De igual modo bem integradas na fábrica, estão Júlia Jesus e Glória Caseiro, que vieram também da APECI e, há 15 e 12 anos, respetivamente, conseguiram também um trabalho na empresa.

Os anos de trabalho na casa são a prova da sua integração. "Nessas tarefas onde são colocadas, desempenham-nas muito bem, portanto não se nota que têm limitações. São muito empenhadas e têm uma grande necessidade de demonstrar que são capazes e que estão ao nível dos desafios", conta Sara Silva, diretora técnica da empresa Queijo Saloio.

Em 2012, 31 formandos terminaram os cursos da APECI e, destes, sete conseguiram contrato de trabalho, cinco estão com contrato de emprego e inserção do Instituto de Emprego e Formação Profissional e outros aguardam ainda por esta solução.

A instituição possui cursos de hotelaria e restauração, assistente administrativo, assistente familiar e de apoio à comunidade, operador agrícola, operador de pecuária e operador de jardinagem.

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