"Não pode governar quem tem o parlamento contra ele"

Antigo primeiro-ministro diz que Cavaco tem apenas que cumprir a Constituição. E desfiou críticas à investigação da "Operação Marquês"

Falou sobre justiça e os abusos do Estado de Direito, mas também sobre política. José Sócrates, este sábado em Vila Velha de Rodão, deixou a garantia, em tom de aviso: "se alguém pensou que eu ia prescindir dos meus direitos políticos, estão equivocados", disse o ex-primeiro ministro, arguido na Operação Marquês. E sobre a atual e indefinida situação política, declarou: "Não pode governar quem tem o parlamento contra ele".

As palavras de José Sócrates foram, sobretudo, dirigidas para o Presidente da República, Cavaco Silva, que, recordou Sócrates, quando em 2011 foi chumbado o PEC IV não falou em "interesses conjunturais que se sobrepuseram ao interesse nacional", mas até apelou, recordou o ex-primeiro-ministro, a um "sobressalto cívico". Ainda sobre Cavaco Silva, José Sócrates aludiu aos "compromissos", sempre defendidos pelo Presidente da República, acrescentando um comentário: "Bom compromisso é quando permites que a direita esteja no poder", referiu Sócrates, dizendo que nenhuma força política deve ser menorizada devido às suas convicções.

"Eu sou a favor da NATO, mas sou mais a favor de um país onde se possa ser contra a NATO", começou por dizer, lançando mais uma farpa a Cavaco Silva, que na última quinta-feira, desconsiderou uma eventual coligação de esquerda a apoiar um governo do PS: "Não me sinto confortável é tendo um País onde pessoas decidam não cumprir a Constituição, sobretudo aqueles que a juraram cumprir".

Os abusos do Estado de Direito

Além da atualidade política, a conferência de José Sócrates em Vila Velha de Ródão foi, essencialmente, dominada pelo seu processo, a Operação Marquês. Aos conterrâneos - Sócrates é de Castelo Branco - o ex-primeiro ministro apresentoou-se com vítima de "agentes do Estado" que abusaram do poder que têm, ao prendê-lo e ao mantê-lo nesta situação durante 11 meses "sem acusação".

"O que carateriza o Estado de direito democrático, não é o que ele pode fazer, mas o que ele não pode fazer", declarou José Sócrates, numa intervenção recheada de citações de filósofos do direito. Ainda agastado com as notícias sobre o processo, no qual é suspeito de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais, Sócrates diz ter descoberto nos últimos meses "um poder oculto resultado entre a cumplicidade escondida entre alguns elementos da justiça e do jornalismo. Um poder que não é fiscalizado"

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