Tirar maioria absoluta ao PS une forças muito diferentes

Campanha eleitoral arrancou nas ilhas para as legislativas regionais do próximo domingo. Políticos dizem-se muito satisfeitos com a adesão dos populares. E líderes ajudam à festa.

Rosas na mão, Bertília, Adriana, Cristina e Ângela acabam de deixar o trabalho, todas na mesma empresa de pronto-a-vestir, em Angra do Heroísmo. Têm entre 22 e 35 anos e nem é preciso perguntar qual foi a campanha que por elas passou, o PS, "o partido da rosa". Uma flor não se recusa, dizem, mesmo Bertília que pertence à juventude social-democrata e que até na camisa tem a mesma flor: "Pois é, nem reparei, que estupidez!"

Colegas de trabalho pararam para ver passar a campanha, ainda assim porque ofereciam uma rosa: Bertília Borba, 22 anos; Adriana Santos, 25, Ângela Reis, 33 e Cristina Santos, 35. Só a mais velha admite votar no PS, as outras estão "a meditar". Não têm estado atentas à propaganda para decidir quem vai governar a região nos próximos quatro anos. A oposição quer tirar a maioria absoluta ao PS, conquistada por Vasco Cordeiro. "Tem sido uma campanha positiva, quer na adesão às iniciativas, quer na apresentação das nossas propostas. A nossa expectativa é a de que teremos a oportunidade de que, com estabilidade, concretizar as ideias que tempos para o futuro", responde o presidente regional. "O presidente da confiança", sintetiza o cartaz.

As caravanas passam e poucos se manifestam. "Não preciso de campanha, os portugueses já têm o juízo formado e eu não vou pelos partidos, vou pela pessoa." Justifica Rogério Costa, 69 anos, reformado, que acaba por confessar: "Voto sempre no mesmo partido, sou fiel."

Estamos na rua principal do centro de Angra, onde todo o político faz questão de passar: a rua de São Pedro e vai ter à baixa, informam. "Chamavam-lhe as portas de São Pedro, antigamente só havia esta rua para entrar na cidade", conta Jorge Nunes, 63 anos, dono do estabelecimento onde Rogério está sentado na esplanada, o Mercado Lusitânia.

Nem de propósito, novo carro, música e palavras de ordem: "Vamos dar valor aos Açores!". "Esta de quem é?", pergunta o Jorge . "Não sei, parece do PSD, vi uma coisa laranja", responde o Rogério. Jorge pensa: "Não, é daquele que mora ali, na rua de baixo?" Ou seja: "É do CDS-PP".

Os carros de propaganda cruzam-se pela cidade. Fazem barulho, mas não tanto como as praxes do curso de enfermagem, fazer o trânsito e as pessoas.

Os políticos dizem estar satisfeitos com a adesão na campanha, tanto que nem conseguem eleger um ponto alto. "Estive em todas as ilhas, mesmo ao Corvo onde o CDS não apresenta candidato [apoia Paulo Estêvão do PPM]", as pessoas estão muito recetivas", diz Artur Lima, deputado e presidente do CDS-Açores, neste sábado, dia em que teve a companhia da líder nacional, Assunção Cristas.
Também Aníbal Pires, coordenador regional da CDU contou com a presença do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, neste domingo. Comenta o deputado regional: "Percorri todas as ilhas, privilegiamos o contacto com a população, apresentando as nossas propostas e têm aceite dialogar connosco. Estamos satisfeitos com o nosso trabalho e, sobretudo, com a ação pedagógica de apelo ao voto". Tem como palavra de ordem "Projeto de futuro".

O BE foi outro dos partidos, cuja líder visitou a ilha neste fim de semana. Aliás só António Costa e Pedro Passos Coelho não se deslocaram ao arquipélago durante a campanha. Catarina Martins percorreu a ilha da Terceira no sábado ao lado de Zuraida Soares: "Sente-se que há esperança, que é desta vez que vamos dar a volta. O BE tem dado um contributo importante para essa reviravolta, nomeadamente na luta pelos direitos sociais", explica a deputada e coordenadora regional dos bloquistas. E que têm como slogan: "Faz a diferença."

Paulo Estêvão, deputado do PPM, é ele próprio líder do partido: "Concorremos em 8 ilhas, menos nas Flores onde apoiamos o candidato do CDS, e o feedback tem sido muito bom. Estamos no Parlamento Regional há oito anos, o que nos dá um boa receção às nossas propostas. Estamos otimistas".

As ruas da cidade de Ponta Delgada estão menos animadas pela propaganda eleitoral, talvez porque este é um domingo de chuva. Talvez "porque os partidos apostam nas povoações onde há mais gente. Nos centros há turistas", justifica Vítor Vieira, 27 anos, para quem o trabalho de nadador-salvador acabou com o fim da época balnear. Tem o 12.º ano e está desempregado, tal como o amigo, Henrique Castello, da mesma idade e com a mesma instrução. Quanto a domingo, Henrique vai votar em branco, já Vítor votará à esquerda do PS. Não gostam de maiorias absolutas. "É importante haver outros partidos a decidir, é sempre melhor o que se consegue em equipa".

Assim pensa, também, Maria da Graça, 48 anos, empregada de hotel. E que aconselha a colega que nunca votou: "É verdade que as pessoas se amanham como estão, mas temos de votar para isto mudar".
Mudança promete Duarte Freitas, o presidente regional do PSD e que tem o slogan: "Autonomia feliz". Aproveitou a campanha para "examinar os resultados de uma governação de 20 anos, que são maus. Temos mostrado às pessoas, que existe um programa alternativo ao do governo do PS".

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