"Tenho de voltar em julho porque o dez não me chega"

Duas das provas mais temidas do calendário do secundário, Física e Química A e Geografia A, realizaram-se ontem.

Ricardo Filipe sentia que podia ter feito melhor no exame de Física e Química. "Talvez se tivesse estudado mais um bocado conseguisse melhor nota." Pelas suas contas, não irá atingir o 14 de que precisa para seguir Engenharia, pelo que já fez planos. "Tenho de voltar a 17 de julho, porque o dez não me chega", admitiu ao DN, considerando que "a prova foi muito trabalhosa. As contas de apoio eram muitas e demorava-se muito tempo."

À porta da Escola Lima de Freitas, em Setúbal, a expressão "correu mais ou menos" era transversal após os exames de Geografia e Física e Química. Os rostos que iam cruzando o portão não revelavam convicção em "grandes notas", como admitiram Beatriz Duarte e Ana Margarida Sena.

A primeira queixou-se que o exame tinha sido "demasiado extenso para duas horas, apesar de até ser acessível". Já a colega, admitia que a física lhe correra melhor do que a química. "Talvez dê para dez." A professora de Física e Química, Cristina Macedo, da Associação Nacional de Professores (ANP), confirmou que o exame se baseou muito na Matemática, não estando à espera de melhorias face à média negativa do ano letivo passado. "Mesmo nas escolhas múltiplas tinham de trabalhar com fórmulas. Era preciso estar muito concentrado, porque havia muita matéria", resumiu a docente.

Os alunos foram saindo quase a conta-gotas, à medida que iam entregando o exame. Geografia terminou primeiro e Rúben Fernandes era o mais otimista. "É bem capaz de dar para o 14. Quero seguir desporto e com um 12 está garantido", comentou o jovem, admitindo que estava à espera de uma prova mais difícil. Também Telmo Marques achou fácil, à parte da questão relacionada com a gestão sustentável dos recursos hídricos.

A professora Ercicla Reis, da ANP, considerou ter-se tratado de um exame "muito acessível", que incluiu perguntas do 7º ano. "É natural que a média de 11,4 do ano passado suba", admitiu, revelando que apenas a última pergunta, sobre cidade, "era mais complexa. Depois, havia muita escolha múltipla sem dificuldade". Hoje têm lugar os exames de Matemática do 9.º ano, História do 11.º e Desenho e História do 12.º. De acordo com os dados divulgados pelo Júri Nacional de Exames, a prova de Física e Química A foi realizada por 47 610 alunos (93,1% dos inscritos. Já Geografia A teve 22 332 alunos presentes (95,7%).

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