Tempos de espera fazem aumentar agressões a médicos e enfermeiros

Número de agressões, físicas e verbais, registadas em 2014 foi de 477, até outubro. Ministério Público já investigou 16 casos.

Era a primeira vez que o médico via o casal. Ela estava internada e na sala o marido aguardava pelo diagnóstico. Ouviu do médico algo que não esperava. Não era uma situação grave, mas mesmo assim foi o suficiente para avançar para a agressão verbal. O segurança foi chamado e fez uma pergunta simples ao médico: quer que chame a polícia? O marido da doente deu um murro na cara do clínico, que depois disso já se cruzou com o agressor no hospital. Entre janeiro e outubro de 2014, o Observatório Nacional da Violência Contra os Profissionais de Saúde recebeu 477 queixas. A contabilidade ainda não está fechada e já representa mais 136% em relação às queixas de 2013 (202 notificações).

A falta de capacidade de resposta dos serviços de saúde, maiores tempos de espera, dificuldades provocadas pela crise. São muitos os fatores que levam à gota de água e que termina com agressões a enfermeiros, médicos e outros profissionais da saúde. "Há a crise que as pessoas estão a viver, a saúde está a responder menos, é mais difícil tratar, há barreiras colocadas em tudo: exames, taxas moderadoras nas urgências, no atendimento, nos transportes. As pessoas estão revoltadas e os profissionais de saúde estão na linha da frente", diz Carlos Cortes, presidente da secção Centro da Ordem dos Médicos, a região com mais queixas registadas em 2013 e que ontem debateu o problema.

Na Procuradoria-geral distrital de Lisboa (70% do total do território judicial do país) foram investigados 16 casos de agressões físicas ou verbais contra profissionais de saúde. Apesar do número não ser ainda muito expressivo, este tipo de agressão registada em hospitais ou centros de saúde foi o crime que mais subiu no mesmo período (mais 171%).

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