Tarde lisboeta de Modi para lançar startup hub e falar com comunidade

Primeiro-ministro indiano faz escala a caminho dos Estados Unidos para reencontro com António Costa.

São poucas as horas que o primeiro-ministro indiano passará hoje em Lisboa, mas a agenda é bem preenchida, indo desde um almoço com António Costa nas Necessidades até um encontro com a comunidade indiana, passando por uma visita à Fundação Champalimaud. Narendra Modi deverá participar ainda, ao lado do primeiro-ministro português, no lançamento do startup hub, um dos muitos projetos de cooperação entre os dois países que nasceram da visita de Costa à Índia em janeiro deste ano.

"É com grande entusiasmo e agrado que recebo o primeiro-ministro Narendra Modi em Lisboa para uma visita de trabalho, aproveitando a escala de algumas horas, que fará expressamente, a caminho dos Estados Unidos", declara Costa ao DN, destacando o simbolismo da curta visita a Portugal antes do primeiro encontro com Donald Trump.

Com a segunda maior população do mundo (a caminho de ser a primeira, ultrapassando a China em 2022), a Índia é hoje uma das economias mais dinâmicas, crescendo mais até do que a China. "A Índia é o país que mais cresce, a 7%, apesar do ambiente geral recessivo, com incidência nas sua exportações. A economia vai bem, embora um país pobre deseje sempre muito mais", afirma Eugénio Viassa Monteiro, professor da AESE--Business School, em Lisboa, mas atualmente colaborador do Departamento de Gestão do Indian Institute of Technology, em Deli.

As oportunidades de negócio no grande país asiático ao qual Vasco da Gama chegou em 1498, iniciando a primeira era de globalização, passam por aproveitar as áreas em que os indianos são líderes, como as novas tecnologias, e também aquelas onde sentem necessidades, como o desenvolvimento de infraestruturas e a gestão de resíduos. Há também a destacar um investimento no setor automóvel feito pelo grupo indiano Sakthi em Águeda.

"Além da excelente oportunidade que teremos para passar em revista a implementação do que acordámos na minha recente visita à Índia e assinar novos acordos, haverá também ocasião para nos reunirmos com a comunidade indiana e luso-indiana residente em Portugal", acrescenta ao DN o primeiro-ministro português.

Sobre as relações bilaterais, Viassa Monteiro é otimista e destaca ainda o simbolismo das origens paternas goesas de Costa, que talvez ajudem a explicar a boa química com Modi, um primeiro-ministro com fama de reformista: "Naturalmente as raízes criam empatia e, se se trabalha mesmo bem, uma maior confiança à hora de se propor projetos conjuntos, por exemplo, em terceiros países, ou em projetos em que um dos países tem capacidade reconhecida para fazer no outro. Portugal e Índia poderiam oferecer estudos universitários técnicos de alta qualidade, aos países de expressão Portuguesa, sobretudo de Medicina, Engenharias, Informática, Agronomia, etc. Seria um grande serviço."

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