TAP suspende voos especiais para Bissau

Os voos extraordinários para o Dakar com ligação a Bissau, adotados numa operação especial da TAP desde a suspensão da rota direta para a Guiné, vão terminar no fim do ano, anunciou hoje a empresa.

"O contrato com a companhia senegalesa termina com a realização do voo que parte de Lisboa na próxima segunda-feira, 30 de dezembro, regressando na manhã de terça-feira, motivo pelo qual a TAP deixa de realizar os voos que Lisboa/Dakar/Bissau/Dakar/Lisboa que vinham a ser efetuados", informou a companhia aérea em comunicado hoje divulgado.

A operação especial foi contratada quando a TAP suspendeu a sua operação normal para a Guiné-Bissau na sequência do embarque forçado, no aeroporto de Bissau, de 74 passageiros com documentação falsa.

Depois do incidente, a 10 de dezembro, e por causa da proximidade do Natal, a TAP "decidiu promover temporariamente voos extraordinários entre Lisboa e Dakar, fretando um avião à Senegal Airlines para transportar os passageiros entre a capital do Senegal e Bissau", explicou.

No entanto, a contratação à companhia aérea Senegal Airlines de aviões para fazer a ligação entre Dakar e Bissau termina no fim do ano, pelo que os voos extraordinários deixarão de se realizar.

"Os passageiros com reservas Lisboa/Bissau/Lisboa para lá do dia 1 de janeiro serão contatados oportunamente pelos serviços da TAP", refere a companhia.

A suspensão desta operação poderá implicar o fim da ligação aérea entre Bissau e a Europa, já que ainda está a ser avaliada a existência de condições de segurança para voltar a ser feita a rota Lisboa-Bissau.

A tripulação do voo da TAP entre Bissau e Lisboa de 10 de dezembro foi ameaçada e obrigada por autoridades guineenses a transportar 74 passageiros com passaportes falsos, num incidente classificado na altura pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, como "um ato próximo do terrorismo".

O Governo de transição da Guiné criou uma comissão para investigar o assunto, liderada pelo ministro da Justiça, Saido Baldé, que concluiu que foi o ministro do Interior, António Suca Ntchama, que "exigiu" o embarque dos 74 sírios com passaportes falsos para Portugal.

O documento refere ainda que "não houve coação nem física, nem armada em relação à tripulação da TAP, nem ao chefe de escala" da companhia aérea em Bissau e que a ordem de embarque foi dada pelo diretor-geral de escalas das delegações da TAP em África, a partir de Lisboa.

No seguimento deste caso e do cancelamento das viagens diretas entre Lisboa e Bissau, o presidente do conselho de administração da Agência de Aviação Civil, Nuno Na Bian, anunciou que a Guiné-Bissau se prepara para criar "muito brevemente" a sua própria companhia aérea.

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