António Costa desconhece "em absoluto" relatório das secretas

O primeiro-ministro, António Costa, disse hoje desconhecer "em absoluto" um relatório das secretas sobre o furto de armas em Tancos, não querendo comentar no detalhe o assunto "no meio de uma campanha eleitoral".

"Obviamente que não vou tratar assuntos desta relevância no meio de uma campanha eleitoral. A única coisa que queria dizer é que desconheço em absoluto esse relatório", vincou Costa, falando em Lagos numa ação de campanha para as autárquicas de outubro.

A edição de hoje do semanário Expresso noticia que um relatório dos serviços de informações militares sobre o furto de armas em Tancos "arrasa ministro e militares".

De acordo com o jornal, a gestão do titular da pasta da Defesa, Azeredo Lopes, foi de "ligeireza, quase imprudente" e o General Rovisco Duarte, Chefe do Estado-Maior do Exército, apesar de ter assumido a responsabilidade, "não terá tirado consequências".

Também Marcelo Rebelo de Sousa não conhece esse relatório. "Não li sequer a notícia sobre o relatório. Mas ninquém esperaria que o Presidente da Republica comentasse uma notícia sobre um relatório secreto, que naturalmente tem a sua confidencialidade, se é que existe naqueles termos, tem a sua confidencialidade e portanto deve chegar por outros meios", afirmou o presidente, salientando" contudo o que já afirmou anteriormente: Os portugueses esperam e o Presidente da República espera que haja o apuramento de uma realidade que é muito importante e que é: houve ou não atuação criminal, se houve em que é que se traduziu e quem são os responsáveis".

"Há de chegar o dia em que teremos de apurar efetivamente o que existiu naquilo que aparentemente se configurou como uma atuação potencialmente violadora das regras fundamentais do direito português.", rematou Marcelo Rebelo de Sousa.

O líder do PSD acusou o Governo de "tiques de autoritarismo" por ocultar ao parlamento informações sobre o furto de material de guerra em Tancos e questionou se o Presidente da República está a par do relatório hoje divulgado.

À margem de um almoço de apoio ao candidato do partido à Câmara Municipal de Marco de Canaveses, José Mota, Pedro Passos Coelho referiu-se ao relatório dos serviços de informações militares hoje noticiado pelo Expresso sobre o furto de armas em Tancosque, segundo o jornal, "arrasa ministro e militares".

"Não sei se senhor Presidente da República está a par do que se passa, mas o parlamento não sabe de nada, temos de comprar o Expresso ao sábado para saber o que se passa com o Orçamento, para saber o que passa com os paióis militares, para termos as notícias que o Governo tem a obrigação de prestar ao parlamento?", questionou.

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, disse hoje que o ministro da Defesa "não esteve à altura das suas responsabilidades" e "do cargo que desempenha" no caso do desaparecimento de armas de guerra em Tancos.

"Este relatório vem confirmar aquilo que foi sempre a preocupação e a linha do CDS, quando afirmou que o ministro da Defesa não esteve à altura do seu lugar e das suas responsabilidades", afirmou aos jornalistas Assunção Cristas, adiantando que o partido "não mudou de opinião" quanto à demissão de Azeredo Lopes, que "naturalmente tem de ser responsabilizado por esta situação".

A coordenadora do BE, Catarina Martins, afirmou hoje que continua "a aguardar esclarecimentos cabais do Governo" sobre o furto de armas em Tancos, mas escusou-se a comentar o relatório dos serviços informações militares sobre o caso.

"Como compreende eu não posso comentar um relatório que não conheço. O relatório é secreto, é dos serviços de informações, há notícias sobre o relatório, mas nós não conhecemos o relatório. Sobre essa matéria não posso dizer absolutamente nada", respondeu Catarina Martins aos jornalistas durante uma ação de campanha autárquica em Amarante, distrito do Porto.

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