Suspeito de matar em pastelaria era sargento, estava de baixa e tinha em casa arsenal de guerra

Mais de 30 armas adquiridas legalmente foram apreendidas na casa do suspeito de assassinar gerente de pastelaria em Benfica. Militar estava de baixa e tinha cadastro. Arsenal não foi confiscado.

João Gonçalves, sargento-ajudante do Exército, é suspeito de ter assassinado a tiro o gerente da pastelaria Lua-de-Mel em Benfica, Lisboa. Foi detido terça-feira à noite pelas autoridades junto à sua casa, nas imediações do estabelecimento comercial onde ocorreu o crime.

Segundo o Correio da Manhã, o militar vivia sozinho e era conhecido por ser conflituoso. Em casa, tinha um arsenal de guerra, 30 espingardas e pistolas de calibre nove milímetros que, por lei, pode adquirir sem limites. Apesar de já ter sido condenado a quatro anos de prisão - com pena suspensa - por agressão e se encontrar de baixa psiquiátrica, João Gonçalves mantinha em casa, legalmente, todas as armas de fogo que comprara. Para as adquirir, só precisou de informar a PSP. Apesar de cadastrado, não foi sujeito a qualquer ação de fiscalização da PSP ou do Exército.

De acordo com o jornal, Manuel João Martins, de 46 anos, o gerente da pastelaria, era testemunha do proprietário do estabelecimento num processo que fora interposto pelo militar de 49 anos: João Gonçalves alegava que, no início de 2014, comera no café uma bola de Berlim que lhe provocava desde então "estalidos no cérebro".

A propósito da promoção da pastelaria, que permite comprar dois bolos pelo preço de um entre as 20.00 e as 21.00, o militar desenvolver uma animosidade em relação ao gerente, dizendo que este enganava os clientes. Chegou mesmo a esperar por ele na rua e andava sempre armado. Manuel Martins foi morto com cinco tiros à queima-roupa.

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