Utentes do IC19 rejeitam portagens

A Comissão para a Mobilidade e Transportes no concelho de Sintra rejeitou hoje a introdução de portagens no IC19 à entrada de Lisboa para financiar os transportes públicos da capital, considerando que "para isso já são pagos impostos".

A imprensa noticia hoje que a Câmara de Lisboa admite a colocação de portagens no IC19 e no IC2 (que ligam, respectivamente, Sintra e o Carregado à capital).

A proposta, do vereador da Mobilidade, Nunes da Silva, tem como objectivo financiar os transportes colectivos, passando os automobilistas destas vias pagar o mesmo que os utentes da ponte Vasco da Gama (2,40 euros).

Contactada hoje pela agência Lusa, a presidente da Comissão para a Mobilidade e Transportes no concelho de Sintra, Guadalupe Gonçalves, disse que colocar portagens nestas vias "não faz sentido nenhum".

"Há que apostar nos transportes públicos, mas não à custa do utente. Nós já contribuímos com a nossa parte, é para isso que servem os impostos. Não é para sustentar os serviços públicos, como os transportes, que descontamos trinta por cento dos nossos vencimentos?", interrogou Guadalupe Gonçalves.

Além disso, para a Comissão para a Mobilidade e Transportes no concelho de Sintra, pagar portagens nestas vias "não é o caminho de eficácia financeira no sector dos transportes".

"Os transportes precisam de ser financiados, mas principalmente precisamos de uma gestão eficaz, as empresas públicas têm de ser bem geridas. Precisamos de uma gestão racional dos serviços públicos", salientou Guadalupe Gonçalves.

A presidente da comissão rematou: "Introduzir portagens para o IC19 não vai resolver nada".

No início de Agosto, o mesmo vereador disse à Lusa que "deve haver algum equívoco do Governo" quanto à introdução de portagens à entrada de Lisboa, criticando uma proposta do Governo que prevê a criação de taxas à entrada da cidade e lembrando que, na maioria das vias, essas taxas já existem.

Além disso, Nunes da Silva explicou que "essas portagens foram estabelecidas como forma de amortizar o investimento privado" e "não reflectem uma política de transportes, mais favorável ao transporte colectivo".

O responsável pela mobilidade em Lisboa declarou ainda que a câmara municipal "tem um sistema muito mais eficaz para controlar o acesso ao centro da cidade, que é a política tarifária de estacionamento", lembrando as recentes medidas que têm "em conta as alternativas em termos de transportes colectivos" e de estacionamento.

A Lusa tentou hoje contactar a Câmara de Lisboa e o vereador Nunes da Silva para obter mais esclarecimentos sobre este assunto mas até ao momento não obteve resposta.

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