Trabalhadores da EPAL em greve ao trabalho extraordinário

Cerca de 250 trabalhadores da EPAL -- Empresa Portuguesa das Águas Livres, SA, iniciaram uma greve de um mês ao trabalho extraordinário contra o que dizem ser uma "dupla penalização nos vencimentos", devido aos cortes salariais na Função Pública.

Segundo José Carlos Calixto, do Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul, além de um corte no pagamento, de "cerca de 30 por cento", do trabalho extraordinário, os trabalhadores da EPAL são também sujeitos à redução salarial aplicada aos trabalhadores do estado que auferem mais de 1.500 euros mensais.

"A EPAL acatou todas as imposições e todas as reduções de salários inscritas no Orçamento de Estado, apesar de ser uma empresa que presta um serviço imprescindível e contínuo, em que o trabalho extraordinário é obrigatório, em caso de falta de água, rupturas grandes ou avarias nas centrais elevatórias", disse. "Mas a verdade é que sofremos uma redução drástica, de 30 por cento e em alguns casos mais, no pagamento do trabalho extraordinário, que assim fica quase ao mesmo preço do trabalho normal. Por outro lado, com o trabalho suplementar, facilmente os trabalhadores da EPAL atingem um vencimento de 1.500 euros, pelo que acabam por descontar duas vezes para o Orçamento de Estado", acrescentou.

José Carlos Calixto lembrou que outras empresas de prestação de serviços públicos, designadamente hospitais, REN, EDP, TAP e Refer, "não foram aplicados todos o cortes previstos no Orçamento de Estado".

De acordo com o sindicalista, a administração da EPAL informou os trabalhadores de que já pediu, por escrito, à empresa AdP, Águas de Portugal, para que seja requerido um regime especial para a empresa junto dos Ministérios do Ambiente e das Finanças, a exemplo do que aconteceu com outras empresas de capitais públicos. A administração da EPAL confirmou à Lusa que já fez as diligências necessárias junto da AdP e garante que está a assegurar o controlo dos efeitos da greve ao trabalho extraordinário, de forma a "evitar perturbações greves no serviço público e o recurso aos serviços mínimos".

Além do Sindicato das Industrias Elétricas do Sul e Ilhas (SIESI), o pré-aviso de greve ao trabalho extraordinário na EPAL foi também subscrito pelo Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), Sindicato dos trabalhadores das Industrias Transformadoras, Energia e Ambiente (SITE) e Sindicato dos trabalhadores de Transportes Rodoviário e Urbanos de Portugal (STRUP). A EPAL é uma sociedade anónima de capitais integralmente públicos, detida a 100 por cento pela AdP -- Águas de Portugal, que é responsável pelo sistema de abastecimento de água ao longo de mais de 2 100 quilómetros, desde a albufeira de Castelo do Bode até à cidade de Lisboa.

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