Tornado de Silves foi moderadamente devastador

O tornado de Silves, que afetou a 16 de novembro o Barlavento Algarvio, causando 13 feridos e avultados estragos, durou 40 minutos, foi moderadamente devastador, com rajadas a atingir 260 a 270 quilómetros por hora.

A conclusão consta no relatório técnico sobre o fenómeno (coluna de vento ciclónico) divulgado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (antigo Instituto de Meteorologia).

Segundo os autores do documento, os meteorologistas Paulo Pinto e Paula Leitão, o tornado de Silves é considerado como "moderadamente devastador, podendo ser forte".

Em Lagoa e Silves, as cidades mais afetadas, o valor do "vento máximo instantâneo" ter-se-á situado entre 256 quilómetros por hora e 295 quilómetros por hora, "sendo de considerar como mais provável um valor máximo para a rajada [de três segundos] da ordem de 260-270 quilómetros por hora".

No mar, onde começou, o fenómeno percorreu sete quilómetros, até chegar a terra, onde andou pelo menos 30,5 quilómetros, entre a praia do Carvoeiro (concelho de Lagoa), onde chegou às 13:20, e São Marcos da Serra (Silves), onde parou às 14:00.

O ponto de entrada em terra do tornado situou-se num local a 1,2 quilómetros a oeste da praia do Carvoeiro, atingindo a cidade de Lagoa pelas 13:30 e a de Silves pelas 13:40.

Segundo o relatório, o tornado passou em áreas com "largura de danos estimada entre cerca de 100 e 300 metros".

Para medir a intensidade do tornado de Silves, os meteorologistas usaram as escalas de Fujita (com sete níveis) e Torro (com 11).

Face aos estragos provocados, o tornado atingiu em Lagoa e Silves os níveis quatro (escala de Fujita) e seis (Torro).

O relatório refere que o fenómeno, "ao iniciar a propagação sobre terra, começou a produzir destruição, francamente visível".

Em Lagoa, houve estruturas de varanda em alumínio removidas, árvores decepadas ou arrancadas pela raiz, viaturas erguidas do solo e recheio de alguns apartamentos sugado para o exterior.

Já em Silves, no estádio Francisco Vieira, as cadeiras da bancada foram "parcialmente arrancadas", sendo que a pala e toda a estrutura de suporte "foi arrancada, dobrada para o exterior do recinto e colapsou".

Nos Paços do Concelho, a cúpula do telhado, em ferro e vidro, "foi arrancada e transportada até ao solo", descreve o relatório.

Escassos minutos depois do fim do tornado de Silves, ocorreu um outro tornado, em Alvor (concelho de Portimão), às 14:10, que "se terá dissipado pouco após ter iniciado propagação sobre o território".

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