Riscos do Plano do Parque Mayer para Botânico em debate

Os amigos do botânico foram hoje ao Parlamento dizer que o jardim está em risco por causa do Plano de Pormenor do Parque Mayer, no dia em que os deputados decidiram que este tema vai ser discutido em plenário.

Uma plataforma de 11 movimentos preocupados com o botânico apresentou na AR uma petição que alerta para o prejuízo que o Plano de Pormenor para o Parque Mayer, Jardim Botânico e Edifícios da Politécnica e Zona Envolvente pode causar ao jardim, que hoje a comissão do Ambiente decidiu enviar para discussão no plenário da Assembleia da República. A mesma plataforma, encabeçada pela Liga dos Amigos do Jardim Botânico, foi hoje ouvida na AR, mas pelo grupo de trabalho da Comissão de Ética, Sociedade e Cultura, onde reiteraram que "algo de grave se está a passar no Jardim Botânico", classificado em 28 de Dezembro último como património nacional, após um processo que durou 30 anos. Manuela Correia, da Liga, considerou que "o jardim, como património nacional, está em grande risco", quer em termos das espécies que preserva quer no seu património edificado, sobretudo por causa do Plano de Pormenor para o Parque Mayer, Jardim Botânico e Edifícios da Politécnica e Zona Envolvente, cuja aprovação municipal pode estar para breve.

"O botânico é património nacional e não estão a ser cumpridos os requisitos que um património nacional exige", considerou, salientando que a classificação exige, desde logo, "um resguardo de 50 metros na envolvência" do jardim, que não estão assegurados. A plataforma defende ainda a criação de uma zona especial de protecção ao jardim, que não está referida no decreto-lei, e considera que essa zona de protecção pode corresponder à actual cerca pombalina, pelo que vai por isso apresentar também a sua candidatura a monumento nacional. Os amigos do botânico estão ainda preocupados com o excesso de construção à volta do jardim, como previsto no plano, "porque o ar aquece e as árvores entram em stress morrem" e estranham que esteja contemplada a hipótese de construção de dois parques de estacionamento subterrâneos no subsolo do jardim. "Valorizamos a existência de um plano, mas não este. Este tem de voltar ao princípio e de incluir a participação de todos", salientou Manuela Correia.

Para este grupo, o plano pode fazer com que o jardim deixe de contribuir beneficamente para o clima da capital e pôr em causa o património edificado do jardim. Neste sentido, criticam que o plano preveja que todos os equipamentos e estufas sejam condensados num edifício de quatro andares. "Penso que toda a gente percebe que uma estufa no quarto andar não contempla árvores ou determinadas espécies", realçou. Manuela Correia salientou ainda que "o jardim tem umas cisternas jesuíticas que estão paradas há dezenas de anos e que tem um correlato importante com a irrigação do jardim". "A fatia maior dos cêntimos que o botânico tem é para pagar a água à EPAL. Não é admissível que não seja recuperado um sistema como o das cisternas jesuíticas, construídas para irrigar o jardim em tempos de escassez de água e que promoveriam a auto sustentabilidade", propôs.

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