Quercus e Simtejo dizem que despoluição do Trancão está "no bom caminho"

A despoluição do rio Trancão, na Grande Lisboa, está "no bom caminho", segundo a empresa responsável pelo tratamento de águas e os ambientalistas da Quercus, que elogiam os esforços que têm sido feitos para melhorar a qualidade da água.

O Trancão, um dos principais afluentes do Tejo, era conhecido até há pouco mais de 15 anos pelas descargas poluentes que algumas empresas efetuavam para aquele rio, que nasce no concelho de Mafra e atravessa o concelho de Loures.

Em 1998, com a realização da Expo numa zona abrangida pelos municípios de Lisboa e Loures (agora fundida numa única freguesia da capital), iniciou-se um processo de despoluição do Trancão que, segundo os responsáveis, tem melhorado de "sobremaneira" a qualidade das águas do rio.

"O atual estado do Trancão é inequivocamente melhor do que há algum tempo. Basta percorrer o rio ou parar junto à sua foz para constatar esta melhoria", refere fonte da administração da Simtejo numa nota enviada à agência Lusa.

A empresa foi criada em novembro de 2001 e desde então recolhe e trata águas residuais dos municípios da Amadora, Lisboa, Loures, Mafra, Odivelas e Vila Franca de Xira, abrangendo um total de 1,5 milhões de habitantes.

"Desde a nossa existência temos realizado vários estudos de erradicação de descargas nas bacias que drenam para o Trancão, temos efetuado esforços operacionais e investimentos nas infraestruturas. A constante monitorização comprova a qualidade da água rejeitada depois de tratada", aponta.

A empresa explica que a melhoria na qualidade da água do Trancão tem sido conseguida sobretudo graças aos investimentos nas estações de tratamento de águas residuais (ETAR) de Frielas (Loures), Bucelas (Loures) e da Póvoa da Galega (Mafra).

No entanto, admite que ainda há coisas que podem ser melhoradas, nomeadamente o sistema de desinfeção da ETAR de Frielas.

"Uma vez que a infraestruturação do sistema em alta está concluída praticamente na totalidade, é necessário agora proceder, juntamente com os municípios, ao ajustamento de algumas situações residuais", explica.

O otimismo da Simtejo face ao processo de despoluição do Trancão é partilhado pela associação ambientalista Quercus, que elogia os esforços que têm vindo a ser desenvolvidos.

"Nos últimos anos fez-se um investimento brutal nesta matéria e as melhorias são notórias. A zona urbana da Grande Lisboa passou a dispor de uma rede de drenagem e tratamento", apontou à Lusa a vice-presidente da Quercus, Carla Graça.

A ambientalista ressalvou, contudo, que, ainda que a despoluição do Trancão esteja no "bom caminho", existem problemas ainda sem resposta, nomeadamente os efluentes agropecuários e agroindustriais.

"Trata-se de efluentes difusos que são difíceis de controlar, mas que persistem em algumas regiões. Infelizmente é um problema nacional e não só do rio Trancão", atestou.

A responsável lembrou que existe uma Estratégia Nacional para os Efluentes Agropecuários e Agroindustriais (ENEAPAI), mas que até agora "pouco ou nada foi feito" nessa matéria.

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