Processo habitual é de entrega de armas e serviço burocrático para agentes

Os polícias envolvidos em ocorrências como a perseguição de segunda-feira, que resultou num suspeito baleado mortalmente, em geral entregam a arma, ficam num serviço burocrático e têm à disposição acompanhamento psicológico, explicou um dirigente sindical.

Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical de Profissionais de Polícias (ASPP/PSP), referiu hoje à Lusa que a prática corrente é entregar a arma para permitir análises, como a de balística. Nestas situações, os agentes tendem a ficar em serviço burocrático até "para a sua própria segurança porque durante algum tempo não estará muito bem para serviço operacional". " disposição fica a ajuda psicológica. Simultaneamente decorrem dois tipos de processo: um interno e disciplinar, para avaliar o respeito pelos regulamentos, e um outro criminal, através dos tribunais e com o objetivo de apurar "dolo, negligência ou crime".

Segundo o porta-voz da PSP, Paulo Flor, também decorre uma investigação da Inspecção-geral da Administração Interna. A ASPP/PSP tem defendido que em "situações mais complicadas" se aguarde a conclusão do processo criminal antes de terminar o disciplinar porque "não seria a primeira vez" que um tribunal inocentava o agente, mas que a força determinava a sua expulsão. Paulo Rodrigues argumentou ainda que opinião pública e tribunais não devem apenas avaliar o resultado: "Não é defender a absolvição para quem pratique crime, mas a compreensão pelo trabalho e pela situação em que é preciso decidir em alta pressão".

Em comunicado divulgado na segunda-feira, o comando metropolitano de Lisboa da PSP indicou que um suspeito de furto de uma viatura morreu na Azinhaga da Cidade, no Lumiar, pelas 12.45. "Em resultado de uma perseguição e intervenção policial" da qual um agente saiu com ferimentos e foi tratado no local pelo Instituto Nacional de Emergência Médica. A perseguição iniciou-se após o registo do roubo do veículo na zona de Belém, pelas 11.30, e depois de elementos policiais terem detetado a viatura cerca de uma hora depois, na zona da Musgueira, já na freguesia do Lumiar, "com dois ocupantes no seu interior". A operação terminou na Azinhaga da Cidade, também no Lumiar, "com a imobilização da viatura e dos suspeitos do crime".

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