Plano de Urbanização de Alcântara vai a discussão pública

O município lisboeta decidiu hoje colocar em discussão pública por 30 dias úteis, a partir de 15 de Abril, o Plano de Urbanização de Alcântara, que suscita dúvidas na oposição e dentro da maioria liderada pelo PS.

Helena Roseta e Fernando Nunes da Silva, independentes do movimento Cidadãos por Lisboa eleitos na lista socialista, abstiveram-se na votação, tal como o PSD e o PCP. António Carlos Monteiro, do CDS manteve o voto contra já dado antes da fase de resposta às entidades que se pronunciaram sobre o documento, precisamente por considerar que as questões levantadas, incluindo em pareceres desfavoráveis, não motivaram novas soluções necessárias. Em causa estão, por exemplo, o facto de a Refer dizer que não pretende reactivar a estação do Alvito, como prevê o plano, ou de o Metro de Lisboa não garantir ainda o projecto de expansão da sua rede, situações que levantaram dúvidas a outras forças políticas.

Nunes da Silva, vereador da Mobilidade e Obras Públicas, referiu mesmo que "o sistema de mobilidade tem de ser revisto". Também um parecer da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) gerou preocupações. Helena Roseta, responsável pelo pelouro da Habitação, indicou, a este propósito, que a CCDR apontou "falta de rigor" nos documentos sobre os riscos de deslizamento na encosta daquela zona. "As forças políticas que não votaram favoravelmente a proposta foi comum a preocupação com a pressuposição de grandes investimentos públicos já adiados e que não estão garantidos, nomeadamente a ligação das linhas ferroviárias de Cintura e de Cascais. Pelo PSD, Pedro Santana Lopes referiu que, embora resolva problemas que a zona espera há muito por ver solucionados, "o plano assusta um pouco" e indicou, entre outros, a necessidade de requalificar a Quinta da Cabrinha.

"O grau de incerteza é inquietante", afirmou o comunista Ruben de Carvalho, referindo, contudo, que a abstenção não impediria de fazer avançar um plano de ordenamento do território há muito desejado. O vereador do Urbanismo, Manuel Salgado (PS), afirmou que todas as questões suscitadas pelas entidades da administração central foram respondidas e sublinhou a necessidade de concretizar o documento, inclusive por haver investidores a aguardá-lo. O autarca disse ser necessário compatibilizar o plano com futuros investimentos nos transportes. O Plano de Urbanização de Alcântara abrange 230 hectares, prevê um investimento superior a 50 milhões de euros (sobretudo público) e altera o acesso à Ponte 25 de Abril, com a construção de um novo ramal na Avenida de Ceuta que contornará por norte a ETAR (estação de tratamento de águas residuais) da zona. A proposta prevê também a criação de dois interfaces nas estações Alcântara-terra (no subsolo) e Alvito, neste caso com ligação à rede de metro e, através de um elevador/funicular, à rotunda de Alcântara.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG