Pedida "suspensão imediata" do silo automóvel

Mais de 450 pessoas contestam a construção do silo automóvel no largo do Corpo Santo, numa petição que exige à Câmara de Lisboa a "suspensão imediata" do projeto e uma discussão pública com alternativas "para o desenvolvimento" desta zona.

Em causa está a construção de um silo automóvel com três andares no largo do Corpo Santo, para onde estavam inicialmente projetados um estacionamento subterrâneo e um jardim à superfície, no âmbito da requalificação da Ribeira das Naus.

A alteração ao projeto foi justificada pela Câmara de Lisboa com o facto de esta solução permitir uma poupança superior a cinco milhões de euros.

Na petição, lançada por moradores do Cais do Sodré, os signatários consideram que esta "não se trata de uma construção térrea, discreta, que se possa perder entre os edifícios circundantes", mas uma obra que irá "constituir uma enorme barreira visual entre a cidade e o rio e descaracterizar de forma irreversível uma zona tão sensível" de Lisboa.

Em declarações à Lusa, o primeiro signatário, Alexandre Vasconcelos e Sá, explicou que a petição foi lançada online na sexta-feira à noite e, em pouco mais de 48 horas, recolheu mais de 450 assinaturas.

Os moradores deste bairro lisboeta sustentam que o projeto é "um monstro, uma aberração urbanística e arquitectónica que tapa a única vista para o Tejo".

A petição pede "a suspensão imediata da construção do silo automóvel, antes que sejam constituídos direitos adquiridos que dificultem a busca de alternativas" e solicita ao município da capital, presidido por António Costa, que o projeto não seja retomado "sem que antes seja alvo de uma discussão pública alargada", em que devem ser "apresentadas alternativas para o desenvolvimento desta zona da cidade".

Para os subscritores, a Câmara Municipal deve "explicar as premissas que justificam a construção de um equipamento destas proporções".

A petição tece várias críticas ao projeto: questiona como é que "numa zona classificada, onde ninguém pode sequer alterar uma janela, se autoriza a construção de um edifício com esta volumetria" e considera que a obra vai incentivar a circulação automóvel no local e agravar o trânsito, "já insuportável", na rua do Arsenal.

Por outro lado, os peticionários alegam que esta é uma das zonas mais bem servidas por transportes públicos da cidade e "só se sente verdadeiramente a falta de estacionamentos nas noites de quinta-feira e de fins-de-semana, resultado de um hábito que deve ser desincentivado, o de conduzir numa noite de consumo abundante de álcool".

Alexandre Vasconcelos e Sá adiantou à Lusa que mais de 150 residentes e trabalhadores no Cais do Sodré solicitaram hoje uma audiência ao presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, a quem pretendem pedir explicações sobre o projeto, que, consideram, tem sido feito "às escondidas".

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