MP pede 25 anos de prisão para suspeito do duplo homicídio

O Ministério Público (MP) pediu hoje 25 anos de prisão para o homem acusado de ter matado a ex-companheira e o filho desta na Quinta do Infantado, em Loures.

Durante as alegações finais, a procuradora do MP, Maria da Luz, disse que "não há qualquer dúvida de que ficou provada toda a acusação", e de que o arguido matou Helena Branco, de 50 anos, e o seu filho, André Simões, de 24 anos, este último de uma forma "bárbara" quando estava em casa a descansar.

O motivo, segundo a magistrada, foi o fim da relação de ambos, que o arguido nunca aceitou, culpando o filho da ex companheira por isso.

A advogada do suspeito, Raquel Veloso, afirmou, por seu lado, "não ter nada a alegar em defesa do arguido", uma vez que "não conseguiu obter provas abonatórias" e, assim sendo, "não há hipótese de se fazer uma boa defesa".

Durante o julgamento, o arguido disse não ser "um criminoso", mas, confrontado pelo coletivo de juízes e pela procuradora MP com provas periciais, não soube explicar, por exemplo, como é que o seu sangue foi parar a um lenço encontrado no carro onde a vítima foi morta.

Além disso, foram encontradas impressões digitais do suspeito nos óculos de Helena Branco, assim como vestígios da sua pele nas unhas.

O alegado autor encontra-se em prisão preventiva e, além de estar acusado de duplo homicídio qualificado, vai ser julgado por dois crimes de detenção de arma proibida, um crime de coação agravada na forma tentada e um crime de furto.

Os factos ocorreram a 30 de março de 2012, num contexto de violência familiar. Os agentes da PSP encontraram o cadáver da mulher dentro do carro, estacionado a algumas centenas de metros da sua residência, onde estava o corpo do filho, fechado numa das divisões.

O suspeito, de 49 anos, que nunca assumiu os crimes, entregou-se voluntariamente numa esquadra da PSP durante a tarde do dia seguinte, dizendo que o estava a fazer porque tinha visto as notícias na televisão.

Segundo o despacho de acusação do MP, a que a agência Lusa teve acesso, Helena Branco tinha terminado uma relação de dois anos com o suspeito cerca de dois meses antes do crime.

A mulher tinha apresentado queixa contra o ex-companheiro por violência doméstica e o homem estava proibido pelo tribunal de se aproximar dela.

Perante a insatisfação com o fim do relacionamento, as ameaças à ex-companheira e ao filho desta eram constantes, bem como as esperas à porta da sua casa e do seu trabalho, refere a acusação.

Na manhã de 30 de março de 2012, quando Helena Branco chegou ao carro para ir trabalhar, apareceu o suspeito. Segundo o MP, após discutirem, o homem terá disparado três tiros junto à sua cabeça.

Depois disso, dirigiu-se à casa da ex-companheira, onde o filho desta ainda dormia. André Simões terá sido agredido pelo suspeito com um haltere de ferro na cabeça, a que se seguiram vários cortes no corpo feitos com um objeto cortante. Por fim, atingiu-o com quatro tiros.

A presidente do coletivo de juízes, Susana Fontinha, marcou a leitura do acórdão para as 14:00 de 03 de abril no Tribunal de Loures.

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