Moradores e lojistas impacientes com o atraso nas obras

O atraso nas obras de requalificação do centro histórico de Carnide, Lisboa, está a motivar o descontentamento de moradores e comerciantes, que se queixam de falta de mobilidade na freguesia e de prejuízos na restauração.

As obras no centro histórico iniciaram-se em março no âmbito do Orçamento Participativo municipal, com intuito de aumentar a largura dos passeios, a área de esplanadas junto aos restaurantes e de criar bolsas de estacionamento.

A duração prevista das obras, que abrangem o Largo do Coreto e parte da zona envolvente, era de seis meses, mas uma descoberta arqueológica, há cerca de um mês, obrigou à suspensão dos trabalhos, que ainda não foram retomados, e vai motivar também a mudança dos arraiais do bairro para o Carnide Clube.

Uma equipa municipal de Arqueologia tem estado a acompanhar os trabalhos de escavação e até ao momento foram encontrados cerca de 36 silos e um poço.

A descoberta, "imprevisível", está a atrasar as obras e a deixar impacientes moradores e comerciantes, que se queixam também de dificuldades na circulação automóvel (o esquema de trânsito foi alterado há meses), da falta de estacionamento e de problemas na vedação da obra.

"As obras resultam de uma justa ambição da população de Carnide, tendo em conta toda a degradação da zona antiga da freguesia. No entanto, também se pretendia que fossem cumpridos os prazos acordados e isso não está a acontecer", sublinhou à agência Lusa o presidente do Núcleo Associativo de Moradores e Amigos do Centro Histórico de Carnide, João Ventura. No entender do responsável, as obras foram "mal programadas" e não tiveram um "planeamento cuidado".

"Foram feitas obras em simultâneo em duas ruas paralelas e contíguas. Desventraram-nas sem um planeamento racional, pondo em causa a mobilidade nesta zona, estando a causar um grande impacto social e comercial", apontou João Ventura.

Antes do início das obras, parte do Largo do Coreto de Carnide era ocupado pelas esplanadas dos restaurantes Academia dos Grelhados e Coreto de Carnide, situação que agora é "impossível".

"Foi a pior coisa que nos poderia ter acontecido. Estamos a perder muitos clientes e a pensar seriamente em fechar. Se ainda não o fizemos, foi porque estamos na expetativa de que o verão traga algumas melhorias", queixou-se António Mateus, proprietário da Academia dos Grelhados.

O comerciante apontou perdas na ordem 25%. "Desde que isto virou um estaleiro o largo está morto. Não vamos suportar muito mais tempo estar abertos para servir meia dúzia de refeições por um tempo indefinido", advertiu.

Opinião diferente tem o proprietário do restaurante Coreto de Carnide, que se mostra mais "compreensivo e paciente", apesar da quebra de 60% nas vendas.

"Tenho a noção de que estas obras são necessárias e que mais tarde todos vamos lucrar. Embora seja mais difícil para estacionar e para chegar ao restaurante, os clientes mais habituais continuam a fazer um esforço para vir", apontou.

Contactado pela Lusa, o presidente da junta de freguesia de Carnide, Paulo Quaresma, admitiu que os atrasos nas obras estão a criar problemas aos comerciantes, mas assegurou que "tudo está a ser feito" para minimizar os impactos.

"Já solicitamos à câmara uma suspensão das taxas durante o período das obras, mas para já ainda não obtivemos resposta. Estamos também a trabalhar junto das coletividades para no futuro reforçar a animação no centro histórico e criar uma programação regular", referiu o autarca.

A colocação de um quiosque de café, o alargamento do espaço destinado à restauração e a criação de um miniparque infantil são outros dos projetos da junta para o Largo do Coreto. "Eles agora estão a sofrer muito com as obras, mas no final os benefícios vão ser muito grandes. Se tudo correr bem, no final de setembro estará tudo pronto", perspetivou.

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