Médico de Lagoa já conhece acusação da IGAS

Franciscus Versteeg recusa comentar relatório que recomenda a sua suspensão.

O médico Franciscus Versteeg - que deixou cegos pelo menos três doentes na clínica da Lagoa - está na Holanda mas já conhece as conclusões do relatório da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS), que recomendou a sua suspensão à Ordem dos Médicos.

O IGAS encontrou "matérias susceptíveis de responsabilidade" disciplinar e criminal na investigação feita às complicações oftalmológicas decorrentes das cirurgias feitas na clínica I-Qmed, de Lagoa, dirigida por Franciscus Versteeg . Três doentes perderam a visão num olho e uma quarta corre o risco de ficar totalmente cega.

Contactado pelo DN, na sua clínica em Amstelveen - a Eye-Q-Vision, fechada desde 12 de Agosto enquanto decorre uma investigação da Inspecção holandesa - o médico disse já ter conhecimento deste relatório, mas recusou responder às nossas perguntas, alegando "más experiências com a imprensa".

A clínica que dirige em Lagoa vai continuar fechada, mas por enquanto, e até ficar concluída a fase de investigação do processo que decorre na Ordem dos Médicos, o clínico ainda não foi suspenso em Portugal.

Carta aos doentes

Em meados de Agosto, Franciscus Versteeg enviou uma carta a Ernesto Barradas, um dos doentes afectados, em que dizia não ter sido fácil escrever-lhe mas que tinha decido fazê-lo para manifestar a sua tristeza pelo que aconteceu.

"O que aconteceu a seguir à cirurgia por mim efectuada deixou-me triste e chocado", escreveu, acrescentado que a situação já deve ter custado muitas horas de sono aos doentes, tal como lhe custou a ele.

Um pedido de desculpas que não reconfortou Maria do Rosário Barradas, filha de Ernesto, que desconfia da boa fé do médico em todo o processo. Aliás, os doentes e os seus familiares mantêm-se em contacto e estão decididos a ir para os tribunais e pedir indemnizações ao médico.

Franciscus Versteeg não corre apenas o risco de ser suspenso pela Ordem dos Médicos. Decorre também um inquérito no Ministério Público de Portimão que pode levar a que seja acusado de ofensas à integridade física graves ou qualificadas por negligência - um crime punido com pena de prisão de 2 a 10 anos. Este é um desfecho que Maria do Rosário Barradas considera mais provável com os resultados da investigação da IGAS.

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