IPO fica em Palhavã e recebe obras de 45 milhões

O Instituto Português de Oncologia de Lisboa vai manter-se em Palhavã e receber obras de 45 milhões de euros, bem menos que os cem milhões que o anterior ministro disse serem necessários para manter a instituição no mesmo sítio.

A decisão do Ministério da Saúde encerra, assim, uma polémica que começou em 2006, quando o então ministro da Saúde António Correia de Campos anunciou que o Instituto Português de Oncologia de Lisboa (IPOL) ia mudar de local.

Na altura, o antecessor de Ana Jorge garantiu que, se este IPO não fosse transferido, teria de receber obras de pelo menos cem milhões de euros.

Nos meses seguintes foram desenvolvidos contactos entre o Ministério da Saúde e várias autarquias, como Lisboa e Oeiras, com vista à localização do novo edifício, tendo a Câmara Municipal de Lisboa (CML) destinado um espaço no Parque da Bela Vista.

Contactada pela Agência Lusa, fonte da CML confirmou que a autarquia "reservou uma área para a respectiva localização, no âmbito do Plano Director Municipal (PDM) e iniciou um Plano de Pormenor onde se equacionou a respectiva Localização".

Contudo, o Ministério da Saúde optou agora por manter o IPO no mesmo sítio, em Palhavã, e anunciou obras que, há muito, são reclamadas por especialistas nesta área.

Fonte do gabinete da ministra da Saúde, Ana Jorge, disse que as obras são "prioritárias" e irão abranger duas áreas: obras estruturais e equipamento pesado.

Para as obras estruturais, o Ministério da Saúde conta gastar 30 milhões de euros e, ao nível do equipamento pesado, serão investidos 15 milhões de euros.

A decisão da tutela de manter o IPO de Lisboa no mesmo local levou em conta os "prós e os contras" da mudança.

A centralidade do local onde o IPO se encontra -- junto a um dos principais eixos viários de Lisboa e em terrenos de elevado valor imobiliário - é o motivo que mais agrada aos doentes, familiares e profissionais.

Aquando da decisão de transferir o IPO, Correia de Campos alegara que "as limitações físicas do edifício" eram "dramáticas".

A solução passaria, para o antecessor de Ana Jorge, por encontrar um terreno e construir um novo IPO com as verbas do terreno do edifício actual.

Segundo afirmações de Correia de Campos em 2006, as obras que o IPO de Lisboa necessitam custariam pelo menos cem milhões de euros.

Só duas das seis máquinas de radioterapia do IPOL funcionam

No sábado, o semanário Expresso noticiou a existência de avarias em vários equipamentos do IPO de Lisboa, que impedem a unidade de assegurar tratamentos de radioterapia. Segundo o jornal, apenas dois dos seis aceleradores lineares do IPO de Lisboa estão a trabalhar, e a secretária-geral da instituição confirmou que "o parque de radioterapia (...) carece de remodelação urgente". O Instituto tem ainda recorrido a "prestadores externos" para assegurar a realização dos tratamentos.

Em 2009, o IPO de Lisboa realizou 203 380 consultas e 6427 cirurgias programadas.

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