Sindicato da Valorsul diz compreender decisão de Lisboa

O porta-voz do sindicato representativo dos trabalhadores da Valorsul, que cumprem hoje o terceiro dia de greve, mostrou-se compreensivo com a decisão da Câmara de Lisboa de recorrer à Tratolixo (Cascais) para descarregar os resíduos do seu município.

Camiões com resíduos urbanos do concelho de Lisboa dirigiram-se esta tarde para as instalações da empresa Tratolixo para descarregar o lixo dos últimos dias que não foi despejado na Valorsul (Loures) devido à greve dos trabalhadores.

"Se a Câmara de Lisboa assim o entendeu, é uma questão que só a eles diz respeito. Nós [sindicato] não estamos contra, nem contestamos que eles tenham arranjado uma alternativa", afirmou à agência Lusa Navalha Garcia, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Centro-Sul e Regiões Autónomas.

No Ecoparque de Trajouce, Cascais, que pertence à Tratolixo, a Lusa verificou pelas 16:20 que pelo menos três camiões da Câmara de Lisboa tinham já descarregado lixo da cidade e que outros nove estavam à porta para avançar com a mesma operação.

O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, confirmou hoje, em conferência de imprensa, o envio do lixo da cidade para a Tratolixo, indicando que na noite passada já não foi feita a recolha na capital, já que foi atingido o "limite do armazenamento".

Sem indicar quantos camiões estão a ser desviados para a Tratolixo - responsável pelo tratamento dos resíduos urbanos de Cascais, Oeiras, Sintra e Mafra -, António Costa agradeceu a disponibilidade destes municípios.

Também esta tarde, o ministro do Ambiente, Moreira da Silva, reuniu-se em Lisboa com o presidente da comissão executiva da Valorsul, João Figueiredo, e com um administrador da Empresa Geral de Fomento (EGC) -- que gere a recolha e o tratamento de lixo através de empresas como a Valorsul -, mas nenhum responsável prestou declarações à saída.

Segundo uma nota do ministério do Ambiente, o ministro "solicitou um ponto de situação sobre o cumprimento dos serviços mínimos determinados" pelo tribunal arbitral relativamente à greve na Valorsul.

Trabalhadores da empresa, responsável pelo tratamento de resíduos em 19 concelhos, cumprem hoje o terceiro de quatro dias da greve que se iniciou às 00:00 de segunda-feira e termina na quinta-feira.

Na origem da paralisação está a privatização de 100% da participação do Estado na EGF, uma 'sub-holding' do grupo Águas de Portugal para o setor dos resíduos, aprovada no final de janeiro pelo Conselho de Ministros.

A EGF é responsável pela recolha, transporte, tratamento e valorização de resíduos, através de 11 empresas concessionárias, entre as quais a Valorsul, situada no concelho de Loures e que atua em 19 municípios da Área Metropolitana de Lisboa e da zona Oeste.

A empresa serve os municípios de Alenquer, Alcobaça, Amadora, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lisboa, Loures, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Odivelas, Peniche, Rio Maior, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira.

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