Sá Fernandes denuncia "negligência" na investigação

O advogado da família de Rui Pedro, criança de Lousada que desapareceu no dia 04 de Março de 1998, disse hoje em tribunal que nos primeiros dias de investigação ao caso houve "desleixo e negligência".

"É lamentável a enorme inércia no momento essencial deste caso", acrescentou Ricardo Sá Fernandes. O jurista falava hoje no Tribunal de Lousada durante o debate instrutório do processo em que um homem de 35 anos está acusado de um crime de rapto do menor então com 11 anos. O jurista sustentou que as 24 horas após o desaparecimento da criança "eram decisivas e explicariam tudo o que aconteceu". Ricardo Sá Fernandes criticou o facto de a investigação não ter ouvido, no dia imediato ao desaparecimento, uma prostituta que alegava ter estado com Rui Pedro.

Essa mulher só acabou por ser ouvida, 10 anos depois, na fase de inquérito do processo que corre na comarca de Lousada e que hoje teve o seu debate instrutório. O advogado da família do menor desaparecido admitiu, no entanto, que nos primeiros dias após o desaparecimento a prioridade da investigação era encontrar a criança. Ricardo Sá Fernandes agradeceu, em nome da família de Rui Pedro, à investigação por "nunca ter desistido". Apesar da acusação ter demorado cerca de 13 anos, o jurista da família concluiu que "o Ministério Público fez aquilo que tinha de fazer".

No debate instrutório que hoje se realizou, o advogado da família de Rui Pedro defendeu que Afonso Dias, acusado de rapto do menor de 11 anos, seja levado a julgamento. Ricardo Sá Fernandes considerou que a prova da acusação pública, baseada em dezenas de testemunhos, é "sólida e coerente" e, por isso, justifica que o processo seja levado a julgamento. O advogado de defesa, Paulo Gomes, sustentou a tese de que a acusação "se baseia em provas ténues", considerando "inútil" que o processo evolua por ser "mais provável a absolvição". O despacho de pronúncia ou não pronúncia do arguido vai ser anunciado pelo juiz Jorge Moreira Santos, no dia 06 de Junho.

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