Parquímetros geram contestação na Caparica

Os fiscais municipais são acusados de promover a caça  à multa e prejudicarem o turismo. Parque não tem avisos que estacionamento é pago

Os concessionários da Costa de Caparica estão indignados com a ECALMA (Empresa Municipal de Estacionamento e Circulação de Almada), acusando-a de estar a "prejudicar o turismo" da cidade, multando sem contemplações todos os automobilistas que estacionam as viaturas no novo parque e que não pagam o parquímetro. O advogado dos concessionários alerta que há "desonestidade" da autarquia de Almada, uma vez que "não há nenhum aviso de que o parque é pago", pelo que ameaça avançar com uma providência cautelar.

Os dois fiscais que a ECALMA tem destacados no local não têm tido mãos a medir para tanta multa ao longo desta semana de sol, que está a ser aproveitada por muitos banhistas para irem à Costa, mas é fácil perceber que a maioria dos automobilistas não repara que acabou de estacionar num parque - com um total de 700 lugares - que é pago. Carlos Matos, que estava a almoçar no restaurante do "Barbas" foi alertado por um funcionário do estabelecimento, de que a sua viatura estava a ser autuada, mas quando lá chegou já não havia nada a fazer, porque o envelope com a correspondente coima já estava preso entre a escova e o pára-brisas.

"Ainda disse ao rapaz que ia meter uma moeda, mas respondeu-me que está a cumprir ordens e lá vou ter pagar mais de seis euros", lamentou ao DN, tendo sido apenas um dos quatro autuados no espaço de 15 minutos nas traseiras da praia do CDS.

Para o advogado dos concessionários, Paulo Cunha, "a ECALMA vai ter de mudar a sua atitude porque está a prejudicar as pessoas." De acordo com o jurista, que já se reuniu com o administrador da empresa municipal, o parque não se situa numa área urbana.

"Basta ver que não há ali casas. Depois eles querem taxar de uma ponta a outra, além de que começaram a cobrar sem qualquer aviso ou pedagogia. As pessoas não sabem que aquilo já está a funcionar", alerta Paulo Cunha.

Uma fonte da ECALMA revelou terem os parquímetros entrado em vigor no mês passado, depois de um período de um mês de pedagogia, alertando que as placas estão devidamente colocadas. A empresa, que começou intransigente, não exclui a possibilidade de rever o actual estado de coisas.

Uma argumentação que não convence os concessionários, que reclamam, pelo menos, dois lugares para cada estabelecimento. "É o mínimo que podemos oferecer aos clientes", admite Paulo Cunha, sugerindo ainda que os parquímetros funcionem apenas na época balnear, Natal, Carnaval e Páscoa.

Carlos Tomás, responsável por um dos bares da praia, aponta que "se o negócio já está tão difícil, isto só vai agravar a vida de quem aqui trabalhar", refere, alegando que "nenhuma praia tem esta caça à multa. É inacreditável e já somos nós que avisamos os clientes para que estejam atentos."

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