Novo 'shopping' de Sintra paga recuperação do eléctrico

Eléctrico deverá voltar a chegar às praias ainda este Verão. Empresa doou 2,5 mil euros para reabilitar ex-líbris da região saloia

A empresa proprietária do futuro centro comercial Fórum Sintra vai pagar as obras de reabilitação e manutenção do eléctrico que liga aquela vila à Praia das Maçãs nos próximos dois anos. "Houve uma doação em espécie que vai permitir fazer a recuperação total e depois durante algum tempo a manutenção da linha", revela Luís Patrício, vereador do turismo da Câmara de Sintra.

O "contrato de doação em espécie" com a Multi Development Portugal foi aprovado na reunião de câmara privada de dia 15 de Julho, por proposta do presidente Fernando Seara, mas ainda não foi tornado público. Segundo o acordo, ao qual o DN teve acesso, a empresa vai suportar os custos da empreitada no valor de 2,5 milhões de euros, mais IVA.

O documento explica que a empresa "manifestou firme vontade em colaborar com o município no fomento da cultura e das acessibilidades, de forma gratuita, mediante a doação em espécie consubstanciada nas intervenções de manutenção preventiva sistemática e condicionada necessárias à reabilitação e manutenção do eléctrico".

A autarquia considera a linha "um verdadeiro ex-líbris de toda a região, com projecção nacional e internacional". No entanto, desde Fevereiro de 2008, o eléctrico circula apenas aos fins-de-semana num troço reduzido entre a Estefânia de Sintra e a Ribeira, onde termina, junto ao Museu Ciência Viva. O restante troço até à Praia das Maçãs ficou intransitável desde as fortes chuvadas desse Inverno, após derrocadas de muros e deslocamentos na via-férrea.

O acordo alivia a autarquia "de um significativo esforço financeiro" e "viabiliza a utilização [do eléctrico] em plena segurança durante o período entre 1 de Agosto de 2009 e 1 de Agosto de 2011". No entanto, lê-se na proposta aprovada, a colaboração não está relacionada com o Fórum Sintra (ver caixa) e "não envolve qualquer obrigação por parte do município", tratando-se de "uma contribuição puramente mecenática".

As obras a cargo do consórcio Ferrovias/Promorail vão realizar- -se em duas fases, com o objectivo da abertura provisória integral da linha ainda em Agosto. "As indicações que tenho do departamento responsável é de que pode ainda ser possível durante o Verão termos o eléctrico de novo a funcionar", refere Luís Patrício, embora esclareça que não tutela o eléctrico.

Em Novembro, este troço da linha voltará a encerrar para obras de fundo, só reabrindo em Abril de 2010. A intervenção mais cara será a substituição de quase quatro mil travessas de madeira onde assenta a linha, cujo custo global ultrapassa os 340 mil euros. No entanto, o apoio da Multi Development Portugal não inclui a recuperação da catenária, a estrutura de cabos eléctricos e postes, cujos custos serão debitados à autarquia.

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