"Não sei como esta linha está aqui", disse o piloto

Márcio Medina, que estava a trabalhar com outros colegas no corte de madeiras das árvores, em Vale de Água de Cima, perto de Marmelete, no concelho de Monchique, em declarações ao DN contou ter visto o helicóptero a voar baixo, "a cerca de vinte metros do solo", quando colidiu com a linha de média tensão, rolou, caiu e começou a arder. Antes, até passou a cerca de dois metros de um eucalipto. O piloto, Pedro Carriço, ficou surpreendido com linha, garantindo que "não está referenciada" no GPS.

"Apercebi-me de que o helicóptero estava a voar baixo, não tinha altitude suficiente para evitar o embate com a linha de média tensão. Encontrava-se a cerca de vinte metros do solo e até passou a pouco mais de dois metros de um eucalipto. Depois, o espaço entre a hélice e o helicóptero bateu na linha, rolou e caiu. Ouviu-se um estoiro. Quando cheguei ao local, já estava a arder". Foi este o cenário descrito ao DN por Márcio Medina, de 30 anos, um dos quatro madeireiros que se encontravam na zona de Vale de Água de Cima, perto de Marmelete, no concelho de Monchique, onde o ocorreu, nesta quarta-feira à tarde, o acidente com uma aeronave ao serviço da EDP, de que resultou uma vítima mortal e dois feridos.

Segundo aquela testemunha, que alertou de imediato as autoridades através do número de emergência nacional 112 e ajudou a socorrer as vítimas, retirando-as do interior do aparelho, o piloto estava "normal, consciente, calmíssimo e falava connosco". Um passageiro, técnico da EDP, que seguia ao lado do piloto, acabou por falecer. Já o outro ocupante do helicóptero, que viajava no banco de trás e procedia a filmagens, conseguiu sobreviver. "O piloto disse-me: «não sei como esta linha está aqui. Não está referenciada no GPS»", sublinhou Márcio Medina. Surpreendido com o obstáculo, o piloto "não se apercebeu", assim, da presença da linha de média tensão na zona, onde acabou por embater "sem se lembrar de mais nada, como ele referiu", acrescentou o madeireiro. Na altura, não havia vento na zona do acidente e as condições de visibilidades eram consideradas boas.

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