Ministro voltaria a assinar depacho de abate de sobreiros

O antigo ministro da Agricultura Costa Neves disse hoje, no julgamento do caso Portucale, que voltaria a assinar o despacho que permitiu o abate de sobreiros para a construção de um empreendimento turístico na Herdade da Vargem Fresca.

O antigo ministro da Agricultura do governo liderado por Pedro Santana Lopes (coligação PSD/CDS), que depôs hoje como testemunha em tribunal, assinou o despacho que autorizou o abate de mais de dois mil sobreiros (espécie protegida em Portugal) naquela herdade em Benavente.

Hoje, Costa Neves garantiu que voltaria a fazer o mesmo, explicando que fundamentou a decisão com o "interesse público do empreendimento", o "parecer técnico favorável da Direção Regional dos Recursos e Florestais" e com a "garantia de emprego e de uma outra atividade económica nos mesmos terrenos".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Opinião

'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?