Mais um Verão sem eléctrico até à Praia das Maçãs

Pelo segundo ano consecutivo, o troço  da linha que liga à praia vai permanecer fechado devido ao atraso na reparação da via após deslocamentos em Fevereiro de 2008. Enquanto isso,  comerciantes e turistas protestam

A linha de eléctrico entre Sintra e a Praia das Maçãs continua encerrada este Verão, pelo segundo ano consecutivo, sem que ninguém arrisque uma data de reabertura. "Só funciona até à Ribeira. Para o restante troço não há previsão nenhuma", ouvem todos os turistas que chegam de comboio a Sintra e procuram informar-se no posto de turismo da estação.

A resposta é a mesma na Vila Alda, o terminal do eléctrico inaugurado há um ano, já depois da interrupção. "O mais certo é continuarmos com o horário reduzido, porque o resto da linha ainda não oferece garantias de segurança", explica uma funcionária numa resposta repetida todos os dias. "É pena, porque há muitos turistas que continuam a procurar o eléctrico até à praia", revela.

Desde o ano passado, o eléctrico funciona apenas de sexta a domingo num troço reduzido entre a Estefânia de Sintra e a Ribeira, onde termina junto ao Museu Ciência Viva. O troço até à Praia das Maçãs está intransitável desde as fortes chuvadas de Fevereiro de 2008, que provocaram deslocamentos na via férrea e chegaram a ditar a suspensão total do serviço.

O atraso na reparação da linha está a incomodar munícipes, turistas e sobretudo os comerciantes da Praia das Maçãs. "É quase um escândalo a câmara tê-lo posto a funcionar após gastar muito dinheiro e agora que só falta uma reparação ele não funcione", lamenta o proprietário de um restaurante. "Não se consegue entender, porque entretanto a câmara até inaugurou com pompa o terminal na vivenda Alda, mas sem o eléctrico a funcionar até cá", revela.

O comerciante conta que "o eléctrico já não chega à praia desde 2007, mas os turistas estão sempre a perguntar, porque continua a ser um cartaz turístico". No entanto, lamenta, "ninguém informa de nada e acabamos prejudicados com uma quebra no negócio provocada pela falta dos grupos de turistas que vinham de eléctrico".

No terminal da Praia das Maçãs, a única informação disponível é uma folha A4 colocada dentro de uma pequena vitrina no fim da linha. "Informa-se que por motivos técnicos este troço se encontra encerrado. A Câmara de Sintra pede desculpa pelos inconvenientes causados", lê-se no texto em português e inglês, embora o segundo salte o pedido de desculpas, certamente devido a lapso.

"É uma vergonha, só se vê os ingleses a olhar para aquela tabuleta e depois vêm perguntar-nos, mas ninguém tem resposta para lhes dar", lamenta Eduardo Grego. O proprietário de um quiosque conta que "andaram a reparar os cabos, mas o problema está em baixo, nas solipas de madeira que estão a apodrecer porque estão colocadas sobre areia em vez de cascalho, como no troço inicial da linha".

Este natural da Praia das Maçãs não tem dúvidas de que o eléctrico não regressará tão cedo. "Só se estiverem um Inverno inteiro a trabalhar nisso é que o conseguem abrir antes do próximo Verão", acredita. O DN falou com três vereadores mas nenhum soube explicar em que fase se encontra a empreitada de reparação da linha. Fonte do gabinete da presidência assegura que as obras terão início na próxima semana.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.