Lojas de conveniência no Bairro Alto passam a fechar às 20.00 na próxima semana

As lojas de conveniência do Bairro Alto, em Lisboa, vão passar a encerrar às 20.00 a partir da próxima semana, uma medida que reduz em seis horas o horário de funcionamento destes espaços para "acabar com o 'botellón'".

Na inauguração da nova esquadra da PSP do Bairro Alto, localizada no centro daquela conhecida área da vida noturna da capital, o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, disse que "saiu hoje um despacho para limitar a partir da próxima semana os horários das lojas de conveniência de modo a acabar com o fenómeno do 'botellón'".

'Botellón' é o nome dado à tendência espanhola que junta jovens em espaços públicos com bebidas compradas em supermercados ou lojas de conveniência e que está a atrair cada vez mais notívagos portugueses, principalmente os do Bairro Alto.

Por isso, salientando que a venda de bebidas em garrafas de vidro pelas lojas de conveniência "resulta na proliferação de materiais e detritos cortantes na via pública, com prejuízo para a saúde e qualidade de vida das populações" e gera "insegurança para pessoas e bens", António Costa propôs em Julho a limitação do horário de funcionamento das lojas de conveniência entre as 8.00 e as 19.00, todos os dias da semana.

Esta proposta esteve em período de audição pública e, num despachado publicado hoje, o presidente de câmara proíbe o funcionamento destes espaços a partir das 20.00.

A medida vai começar a vigorar de hoje a sete dias, ou seja, a partir da próxima quinta-feira estes espaços vão estar abertos menos seis horas do que o habitual.

A insegurança, os detritos cortantes, a falta de higiene, os problemas na qualidade de vida das populações e a conflitualidade com os restaurantes e bares com licenças próprias foram novamente citados como argumentos para esta medida.

No despacho, o autarca salienta que a maioria dos contributos dados à câmara durante o período de audição pública foi favorável à limitação do horário, defendendo que "a adoção desta medida pode trazer melhoria para a segurança dos consumidores, moradores e comerciantes".

António Costa diz que as entidades devem emitir novos mapas de horário de acordo com as novas regras, "perdendo a validade aqueles que se encontrem em desconformidade" com este despacho, que não põe, contudo, em causa as exceções autorizadas anteriormente.

A Polícia Municipal fica responsável pela fiscalização do cumprimento dos horários.

À margem da inauguração, o autarca disse ainda que a dívida da câmara de 116 mil euros em gratificados (pagamento das horas extra noturnas) dos agentes da PSP no Bairro Alto surgiu de um "problema burocrático" e que o município "está a proceder à sua regularização".

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Bernardo Pires de Lima

Em contagem decrescente

O brexit parece bloqueado após a reunião de Salzburgo. Líderes do processo endureceram posições e revelarem um tom mais próximo da rutura do que de um espírito negocial construtivo. A uma semana da convenção anual do partido conservador, será ​​​​​​​que esta dramatização serve os objetivos de Theresa May? E que fará a primeira-ministra até ao decisivo Conselho Europeu de novembro, caso ultrapasse esta guerrilha dentro do seu partido?