Lembrar os jornais e os artistas aos 500 anos

Ana Paula Sena tinha 13 anos quando marchou pela primeira pelo Bairro Alto. Foi há 24 anos. Aos 37, é a marchante mais antiga de um conjunto que, este ano, celebra o 500.º da autorização real, a 15 de dezembro de 1513, para a construção de habitações do que é hoje aquela zona.

"O Bairro Alto tem tanta coisa...", desabafa a lisboeta, sem esconder que não é fácil verbalizar o que as ruas que conhece como a palma da própria mão têm de especial. "Tem a noite, por exemplo", atira, com a satisfação de quem sabe que, em 2013, talvez seja essa a sua principal marca. Mas nem sempre foi assim.

"O tema é "Bairro Alto quinhentista, do jornal e do artista"", revela o presidente da coletividade organizadora do grupo, o Lisboa Clube Rio de Janeiro. "É uma forma de homenagear os jornais que já desapareceram, como o Diário Popular (...) e que aqui existiram", explica Vítor Silva, salientando que Fernando Pessoa - "que também era um artista" - será uma das figuras culturais a ser lembrada.

No Polidesportivo de Santa Catarina, os arcos - que apenas no domingo serão mostrados ao público, no MEO Arena (antigo Pavilhão Atlântico) - dão cor às palavras que profere. O ensaio é um dos primeiros em que utilizam as estruturas, com as hesitações dos marchantes a serem visíveis. Não é, por isso, de estranhar que Dino Carvalho, um dos ensaiadores, não pare um segundo na orientação dos homens, enquanto a sua parceira afina alguns pormenores com as mulheres.

"A apontar para o canto", grita Carla Fonseca, a voz já a querer desaparecer. Os passos são repetidos várias vezes, somente com as canções entonadas pelas marchantes e pela responsável como banda sonora. Os músicos estão na bancada, mas não tocam sem que todas as falhas tenham desaparecido. A reta é já a final num caminho que, desejam os participantes, seja em direção à vitória.

"Se for o primeiro lugar é espetacular", admite Vítor Silva, ressalvando, quase que fazendo por esquecer o sonho, que "o júri é que vai avaliar". Certo é que, adianta Ana Paula Sena, nunca faltará "muita garra e muito bairrismo".

Padrinhos: Wanda Stuart e Carlos Quintas

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