Incêndio do Chiado mudou forma de combate aos fogos

O incêndio do Chiado ocorrido há 25 anos mudou o 'rosto' daquela zona de Lisboa, mas também a forma de 'pensar': há mais segurança e proteção nas leis, nos edifícios, nos comportamentos e até na roupa dos bombeiros.

Na madrugada de 25 de agosto de 1988, um violento incêndio, que deflagrou nos extintos armazéns Grandella, destruiu vários edifícios históricos do Chiado, naquela que foi uma das piores catástrofes que assolaram a capital portuguesa.

Para assinalar os 25 anos do incidente, o Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa (RSB) realiza hoje um seminário técnico sobre o incêndio para dar conta das mudanças que ocorreram desde então.

"Lisboa sofreu uma pesada perda histórica com este incêndio, mas também despertou para a necessidade de existirem políticas de segurança", afirmou na sessão de abertura o coronel Joaquim Leitão, comandante do RSB.

Na sessão de abertura interveio também o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, que assegurou que a cidade está hoje mais preparada para responder a uma catástrofe deste tipo do que estava há 25 anos.

"O incêndio do Chiado foi um momento de rutura no paradigma da proteção civil em Portugal. Naquela altura os meios eram incipientes, mas hoje dispõe-se de estruturas e meios capazes de ombrear com o melhor que se faz no mundo", afirmou o autarca.

As insuficiências e limitações da altura foram também apontadas pelo coronel Matias, comandante do RSB à data do incêndio do Chiado.

"Estamos a falar de edifícios que na sua génese de construção misturavam materiais como madeira e ferro. Além disso, não possuíam sistemas de deteção de fogo, nem materiais que evitassem a sua rápida propagação", explicou.

No entanto, os responsáveis elogiaram a "revolução" registada em matéria de segurança e proteção civil que se verificou após aquele ano.

"Desde o 25 de Abril até 1988, pouco ou nada tinha sido feito, mas a partir daqui surgiu legislação em catadupa que salvaguardasse as zonas históricas e também o trabalho dos bombeiros", referiu Alcino Marques, do RSB.

O responsável sublinhou que o incêndio do Chiado "incentivou" o surgimento de novos equipamentos de combate, de medidas preventivas e a criação do Estatuto Profissional dos Bombeiros.

"Estamos mais atentos, mais equipados e mais formados. A imagem dos bombeiros a combater um incêndio em manga curta faz parte do passado", atestou.

Apesar das melhorias em termos de proteção civil, os responsáveis deixaram um alerta a propósito da permanente desertificação do centro histórico da cidade, um problema que persiste e que contribuiu em 1988 para a dimensão do fogo.

"Foi a desertificação do Chiado que contribuiu para o alarme tardio de incêndio. Infelizmente esse problema persiste nos bairros históricos", alertou Carlos Palhares, da Divisão de Operações do Departamento de Proteção Civil e Socorro da Câmara de Lisboa.

O incêndio do Chiado destruiu edifícios comerciais históricos como os Armazéns Grandella, os Grandes Armazéns do Chiado, a Pastelaria Ferrari e a Editora Valentim de Carvalho.

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