Homem que degolou esposa começa a ser julgado amanhã

O homem de 26 anos acusado de homicídio qualificado por ter degolado a mulher, na sequência de uma discussão devido à rutura da relação do casal, começa na quinta-feira a ser julgado no Tribunal de Benavente.

No despacho de acusação do Ministério Público (MP), a que a Agência Lusa teve acesso, na noite de 11 de setembro do ano passado, durante uma discussão relativa à rutura do casamento, o arguido desferiu vários golpes na mulher, com uma faca de cozinha de 33 centímetros de cumprimento.

Segundo o MP, Bouna Sackho esfaqueou Helmina Biem várias vezes no pescoço, acabando por a degolar. A vítima sofreu também ferimentos na zona do dorso e nos membros superiores. Para a acusação, as lesões no pescoço e no dorso provocaram a morte da mulher.

O MP sustenta que as circunstâncias e o modo de atuação são especialmente censuráveis, uma vez que a vítima foi agredida no quarto do casal, no apartamento onde ambos residiam, em Samora Correia, quando se encontrava nua e vulnerável.

A esposa ainda tentou fugir e defender-se das agressões do marido, como demonstram os ferimentos nas mãos e nas costas, defende o MP. Acrescenta que o arguido agiu com o propósito de a matar.

Bouna Sackho encontra-se em prisão preventiva e está acusado pelo Ministério Público de um crime de homicídio qualificado na forma consumada, punível com pena de prisão de 12 a 25 anos.

O início do julgamento está agendado para as 09:30 no Tribunal de Benavente.

Ler mais

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.