Grupo de imigrantes "passou fome" por falta de dinheiro

Vinte e dois imigrantes, a maioria romenos, angariados para apanhar azeitona e alojados em Beja, já "passaram fome" por falta de dinheiro, tendo sido depois ajudados pela Caritas, disse hoje a presidente da instituição.

Teresa Chaves, presidente da Caritas de Beja, contou à agência Lusa que a instituição foi contactada no sábado pela PSP, a qual pediu ajuda alimentar para os 22 imigrantes, que "estavam com muita fome e há três dias que não comiam, porque não tinham rendimentos".

Aos imigrantes, que, alegadamente, estão "há três semanas sem receber" dinheiro por trabalho efetuado na apanha de azeitona, a Caritas entregou "uma quantidade bastante grande de produtos alimentares para poderem confecionar as refeições durante o fim de semana e mais alguns dias", explicou Teresa Chaves.

O caso foi denunciado no sábado à Polícia por um casal búlgaro que integra o grupo de imigrantes, constituído, na maioria por romenos, disse à Lusa a oficial de relações públicas do Comando Distrital de Beja da PSP, subcomissária Maria do Céu Silva.

Segundo a oficial, o casal, que vivia em Espanha com os outros imigrantes, queixou-se de que o angariador que os contratou para apanhar azeitona no Alentejo ainda "não pagou aquilo que tinha sido acordado" e ainda só lhes deu "muito pouco dinheiro" pelo trabalho efetuado.

Após a queixa, a PSP deslocou-se ao local onde o casal e os restantes imigrantes estão alojados, numa quinta no Parque Industrial de Beja, e constatou que o grupo tinha "algumas carências alimentares" e depois contactou a Caritas, à qual pediu para "os ajudar e lhes dar o que comer".

O casal "não se queixou de que estava a passar fome", mas "o facto de não terem dinheiro" levou a PSP a suspeitar que "não teriam o que comer", o que a Polícia verificou depois de visitar o local onde os imigrantes estão alojados, contou Maria do Céu Silva.

Segundo a subcomissária, a PSP "não verificou que haja prática de tráfico de seres humanos", encaminhou o caso para o Ministério Público e está a contactar outras instituições para que continue a ser prestada ajuda ao grupo de imigrantes "até a situação ser resolvida".

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