Greve na empresa de recolha de resíduos em Sintra

A greve de quatro dias convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local (STAL) na empresa municipal responsável pela recolha de resíduos em Sintra começa hoje no turno das 23:00.

Segundo o STAL, o pré-aviso de greve entre 08 e 11 de abril na HPEM, empresa municipal responsável pela recolha de resíduos e limpeza urbana em Sintra, visa "dar garantias sólidas aos trabalhadores sobre a manutenção e salvaguarda dos seus direitos e postos de trabalho".

"Os trabalhadores exigem que as suas remunerações, subsídios e condições de trabalho sejam estabelecidas numa adenda ao contrato de cedência", explicou à Lusa Alexandra Rebeca, da direção do STAL. A paralisação decorre no âmbito da extinção da HPEM e integração dos trabalhadores na autarquia e nos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de Sintra (SMAS).

Já depois da apresentação do pré-aviso de greve, o presidente da autarquia, Basílio Horta (PS), reuniu-se com o STAL, mas segundo o sindicato "recusou-se a fixar as condições de trabalho num documento a assinar por cada trabalhador".

Muitos dos 300 trabalhadores da HPEM já assinaram o acordo de cedência, mas o sindicato acusa a autarquia de "pressionar os trabalhadores para aceitarem a internalização" dos serviços de limpeza urbana na câmara e da recolha de resíduos nos SMAS apenas com base em promessas que não garantem os seus direitos.

O primeiro turno de greve começa às 23:00 de hoje. A recolha de resíduos só poderá ser afetada na zona de Sintra, Algueirão-Mem Martins, Rio de Mouro e localidades rurais. As zonas mais populosas do Cacém, Agualva, São Marcos, Mira Sintra, Queluz, Monte Abraão e Massamá não terão problemas, uma vez que os resíduos são recolhidos por uma empresa privada.

"Esta greve não tem muito sentido", considerou o presidente da autarquia, acrescentando que a extinção da empresa municipal decorre de uma obrigação legal e não da vontade do executivo. "Esta lei foi feita para justificar despedimentos, mas não despedimos ninguém. Só sai quem quiser".

Basílio Horta garantiu que as principais reclamações dos trabalhadores estão asseguradas pelos órgãos autárquicos e notou que "a recolha do lixo já está nos SMAS". A dissolução da HPEM já foi registada na conservatória e a empresa "vai cessar toda a atividade a 30 de abril", revelou o autarca. Do total de funcionários só "oito ou nove ainda não assinaram o acordo".

A Assembleia Municipal de Sintra aprovou, a 28 de fevereiro, a reorganização do setor empresarial do município. Além da integração da HPEM na câmara e nos SMAS, também será extinta a Educa (equipamentos educativos).

A SintraQuorum será reestruturada, mantendo a gestão do Centro Cultural Olga Cadaval, da Quinta Nova da Assunção (Belas) e da Escola Profissional de Conservação e Restauro e assumindo o antigo Casino e a Quinta da Regaleira. O Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas será integrado na câmara.

LYFS // HB

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.