Governo considera acusações de António Costa "incompreensíveis e infundadas"

O Governo considerou hoje "incompreensíveis e infundadas" as afirmações do autarca de Lisboa, António Costa (PS), que acusou a tutela de dificultar uma solução para o depósito do lixo da cidade durante a greve dos trabalhadores da Valorsul.

Esta tarde, numa conferência de imprensa, António Costa disse que a autarquia de Lisboa estava deste terça-feira a tentar, sem sucesso, encontrar uma alternativa à empresa de resíduos Valorsul, cujos trabalhadores estão em greve desde segunda-feira.

O autarca acusou o Governo de dificultar uma solução para o depósito de lixo ao evocar que a central incineradora de São João da Talha, Loures, está a funcionar perfeitamente, o que não é o entendimento da autarquia de Lisboa.

Em resposta a estas acusações, o Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia (MAOTE) emitiu um comunicado em que considera as palavras de António Costa como sendo "incompreensíveis e infundadas".

No documento enviado, o MAOTE refere que a o Tribunal Arbitral decretou o cumprimento de serviços mínimos e que estes estão a ser cumpridos pela Valorsul.

"A Valorsul tem publicamente, assim como nos contactos com os seus acionistas e clientes, reafirmado a capacidade de concretização dos serviços mínimos durante a presente greve. Nesse sentido, o Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia regista com surpresa a decisão do Município de Lisboa", refere o documento.

Dada a impossibilidade de depositar os resíduos na Valorsul, o município de Lisboa anunciou que teve autorização para os depositar na Tratolixo (Cascais), empresa que serve os municípios de Cascais, Oeiras, Sintra e Mafra.

O município de Vila Franca de Xira anunciou também, ao final da tarde, que iria enviar o lixo recolhido no concelho para a Tratolixo.

Trabalhadores da empresa, responsável pelo tratamento de resíduos em 19 concelhos, cumprem hoje o terceiro de quatro dias da greve que se iniciou às 00:00 de segunda-feira e termina na quinta-feira.

Na origem da paralisação está a privatização de 100% da participação do Estado na EGF, uma 'sub-holding' do grupo Águas de Portugal para o setor dos resíduos, aprovada no final de janeiro pelo Conselho de Ministros.

A EGF é responsável pela recolha, transporte, tratamento e valorização de resíduos, através de 11 empresas concessionárias, entre as quais a Valorsul, situada no concelho de Loures e que atua em 19 municípios da Área Metropolitana de Lisboa e da zona Oeste.

A empresa serve os municípios de Alenquer, Alcobaça, Amadora, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lisboa, Loures, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Odivelas, Peniche, Rio Maior, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira.

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