Duo que tentou matar inglês conhece acórdão

Um rapaz e uma rapariga acusados de homicídio qualificado na forma tentada de um inglês, que esteve em coma e que correu risco de vida após um roubo no Bairro Alto, em Lisboa, conhecem hoje o acórdão.

O advogado do arguido disse à agência Lusa que o Ministério Público (MP) pediu, nas alegações finais, uma pena de sete anos de prisão para cada um dos arguidos, ambos com 21 anos e em prisão preventiva ao abrigo deste processo.

A leitura do acórdão está agendada para as 13:30 na 1.ª Vara Criminal de Lisboa, no Campus da Justiça.

No despacho de acusação, a que a agência Lusa teve acesso, na madrugada de 01 de outubro de 2011, a vítima, acompanhada de três primos - todos embriagados -, decidiu regressar ao hotel. O ofendido, de 37 anos, ficou para trás à conversa com um grupo de jovens na rua, enquanto os familiares apanharam um táxi de volta para o hotel.

Gareth Jackson circulava "só" e "perdido" no Bairro Alto, quando o duo, ao aperceber-se de que se tratava de um "cidadão estrangeiro embriagado", decidiu retirar-lhe o dinheiro e outros objetos. O arguido começou por pedir-lhe um cigarro e depois um euro, mas o jovem recusou a entrega do dinheiro e disse que não fumava.

O agressor agarrou o ofendido enquanto a rapariga retirou-lhe o telemóvel. O jovem ofereceu resistência, tendo o arguido dado "três murros na face" e "pontapés no corpo" da vítima.

Ato contínuo, e quando Gareth Jackson estava caído no chão, a arguida pegou numa pedra e "desferiu várias pancadas na cabeça e face" do jovem, que ficou "prostrado e "inanimado", enquanto os arguidos abandonaram o local com a sua carteira e o seu telemóvel.

De acordo com o MP, o ofendido esteve cerca de meia hora "inconsciente e a respirar com grande dificuldade, numa poça de sangue", até que o segurança de um condomínio pediu ajuda.

As agressões provocaram a Gareth Jackson vários traumatismos, nomeadamente craniano com perda de conhecimento, intracraniano, craniofacial grave, além de feridas e diversas fraturas ósseas.

O ofendido esteve em coma durante duas semanas no Serviço dos Cuidados Intensivos do Hospital de São José, em Lisboa. Segundo a acusação, o jovem "correu risco de vida".

Como consequência da conduta dos arguidos, o ofendido padece atualmente, de um certo grau de deficiência ao nível cognitivo, sendo de realçar a perda de memória a curto prazo, bem como a perda da memória associada aos factos e ao período que se seguiu à mesma, passado em Portugal.

Os dois arguidos encontram-se em prisão preventiva e estão acusados em coautoria e em concurso efetivo de um crime de roubo qualificado e de um crime de homicídio qualificado na forma tentada.

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