Crise financeira leva municípios a produzir menos lixo

A crise originou uma redução no lixo produzido pelos municípios da península de Setúbal, com uma quebra de cerca de 7% em 2011 em relação ao ano anterior, numa tendência que se mantém em 2012.

A Amarsul, empresa municipal responsável pela recolha do lixo nos nove municípios da península de Setúbal, refere, no relatório e contas de 2011, que a crise financeira que afeta o país originou uma redução de consumo, que provocou, por sua vez, uma redução de resíduos urbanos e equiparados gerados.

Em 2010, a Amarsul recolheu cerca de 443 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos nos municípios, enquanto em 2011 recolheu apenas 414 mil toneladas, com Setúbal a ser o concelho com uma maior redução, de 85 mil toneladas para 75 mil, menos 12%.

Os restantes municípios - Barreiro, Moita, Seixal, Almada, Alcochete, Sesimbra, Montijo e Palmela - também registaram reduções em 2011, o que originou uma quebra geral de cerca de 7%.

"O decréscimo da entrada de resíduos nos ecoparques da Amarsul mantém-se, fator que podemos atribuir ao contexto económico atual. Em 2012 já evidenciámos uma diminuição de 11% de resíduos entrados, comparativamente a 2011", disse à Lusa fonte oficial da empresa Amarsul.

A mesma fonte referiu, contudo: "Não podemos inferir esta percentagem aos resíduos depositados em aterro, uma vez que as novas instalações de aproveitamento de resíduos que possuímos permitem-nos prolongar o tempo de vida dos aterros e um reencaminhamento dos resíduos indiferenciados".

A nível geral, a empresa multimunicipal, que pertence em 51% à Empresa Geral de Fomento (pública) e em 49% aos municípios, conseguiu um acréscimo de 2,8% de resíduos em 2011, o que se deveu a um aumento de entradas de resíduos provenientes da Tratolixo, empresa intermunicipal detida em 100% pela AMTRES - Associação de Municípios de Cascais, Mafra, Oeiras e Sintra.

A Tratolixo - que há um ano inaugurou um ecoparque em Mafra que permite encaminhar os resíduos não passíveis de qualquer aproveitamento, embora a funcionar de forma gradual no primeiro semestre - passou das 66 mil toneladas em 2010 para as 115 mil toneladas em 2011, num aumento de quase 75%, decisivo para compensar as quebras dos municípios da região de Setúbal.