Criado grupo de trabalho para combater obesidade infantil

"Obesidade infantil - como foi, como é, como mudar o rumo." Este foi o tema do seminário que decorreu esta semana em Santiago do Cacém e no qual foi criado um grupo de trabalho para combater a obesidade, nomeadamente a infantil, na região.

O seminário, organizado pela câmara local e que decorreu no Auditório do Instituto Piaget no Campus Universitário de Santo André, contou com a participação de cerca de 90 especialistas na área da obesidade e não só.

Em comunicado enviado ao DN, é dito que este debate "serviu para lançar as bases para a criação de um grupo de trabalho constituído por várias entidades com o objetivo de combater a obesidade e muito concretamente a obesidade infantil na região."

Carlos Oliveira, Presidente da Associação de Doentes Obesos e Ex- Obesos de Portugal foi um dos oradores do Seminário e concluiu que "as mudanças não são feitas apenas com a alteração de comportamentos alimentares e físicos, mas sim com as duas coisas ao mesmo tempo", defendendo que "os pais são os principais responsáveis pelos maus hábitos do excesso de sal e açúcar e muitas vezes ainda na gravidez e na forma como a mulher desenvolve o seu processo alimentar".

Também Cláudia Pereira, Psicóloga Pediátrica, refere que o papel do psicólogo serve para "promover a mudança de comportamentos, incitando as crianças, os jovens e os pais a perderem peso, mas essencialmente a lidarem com os seus problemas emocionais e sociais, capacitando-os para a importância de adquirem hábitos saudáveis".

O Presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, Vítor Proença que fez a sessão de abertura do Seminário, referiu o trabalho que a Autarquia tem desenvolvido nesta matéria, defendendo que "as questões da saúde não começam no centro de saúde nem no hospital, começam desde logo em hábitos de vida saudável e foi por essa razão que o Município admitiu para os seus quadros uma técnica na área da nutrição para em articulação com as escolas começarmos a mudar os hábitos de alimentação".

No decurso do seminário foi apresentado o projeto da Autarquia Comer bem, Crescer Melhor. Este projeto, implementado no ano letivo 2008-2009 já está a ter resultados nas escolas de 1.º ciclo e foi alargado no ano seguinte ao ensino pré-escolar com boa adesão por parte de professores e alunos. O objetivo passa pelo desenvolvimento de várias iniciativas ao longo do ano para promover hábitos de alimentação saudável.

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'Motu proprio' anti-abusos

1. Muitas vezes me tenho referido aqui, e não só aqui, à tragédia da pedofilia na Igreja. Foram milhares de menores e adultos vulneráveis que foram abusados. Mesmo sabendo que o número de pedófilos é muito superior na família e noutras instituições, a gravidade da situação na Igreja é mais dramática. Por várias razões: as pessoas confiavam na Igreja quase sem condições, o que significa que houve uma traição a essa confiança, e o clero e os religiosos têm responsabilidades especiais. O mais execrável: abusou-se e, a seguir, ameaçou-se as crianças para que mantivessem silêncio, pois, de outro modo, cometiam pecado e até poderiam ir para o inferno. Isto é monstruoso, o cume da perversão. E houve bispos, superiores maiores, cardeais, que encobriram, pois preferiram salvaguardar a instituição Igreja, quando a sua obrigação é proteger as pessoas, mais ainda quando as vítimas são crianças. O Papa Francisco chamou a esta situação "abusos sexuais, de poder e de consciência". Também diz, com razão, que a base é o "clericalismo", julgar-se numa situação de superioridade sagrada e, por isso, intocável. Neste abismo, onde é que está a superioridade do exemplo, a única que é legítimo reclamar?