Chiado mais desenvolvido e atrativo depois de incêndio de 1988

Especialistas na área do ordenamento do território e urbanismo sublinharam hoje o crescimento do Chiado depois do incêndio ocorrido há 25 anos, sendo atualmente uma das zonas mais desenvolvidas de Lisboa, agora rejuvenescida e com comércio atrativo.

Na madrugada de 25 de agosto de 1988, um violento incêndio, que deflagrou nos extintos armazéns Grandella, destruiu vários edifícios históricos do Chiado, naquela que foi uma das piores catástrofes que assolaram a capital portuguesa.

Para assinalar a data do incidente, o Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa (RSB) realizou hoje um seminário técnico sobre o incêndio para dar conta das mudanças que ocorreram desde então.

Depois de, na parte da manhã, a abordagem ter sido feita em torno das mudanças de paradigma na proteção civil, na parte da tarde o impacto do incêndio no Chiado de 1988 incidiu sobre as mudanças culturais e sócio-territoriais.

O vice-presidente da Câmara de Lisboa e vereador do Planeamento Urbano, Manuel Salgado, inaugurou o painel da tarde, numa intervenção em que recordou o Chiado antes e depois do incêndio.

"O Chiado era um espaço onde as pessoas iam principalmente para serem vistas, um local de exibição da cidade de Lisboa, mas que, por volta dos anos 60, começou a perder importância e a entrar num processo de perda de valores", contou.

Depois do incêndio, lembrou, a existência de um fundo extraordinário de ajuda à reconstrução do Chiado foi "fundamental" para dinamizar a zona que tinha sido classificada como área crítica como reconversão e recuperação urbanística.

O arquiteto Siza Vieira foi chamado para desenhar o novo Chiado e hoje, sublinhou Salgado, esta é "das áreas centrais de Lisboa que congrega mais visitantes e onde se concentram atividades de maior valor acrescentado".

Também Jorge Macaísta Malheiros e Teresa Barata Salgueiro, ambos do Instituto da Geografia e Ordenamento do Território, da Universidade de Lisboa, lembraram a concentração de mais jovens naquela zona, com mais turistas e lojas que atraem a população.

Da mesma forma, José Manuel Garcia, da Direção Municipal de Cultura da Câmara de Lisboa, sublinhou a renovação do Chiado que respeita o traçado romântico da Baixa pombalina mas mais moderno.

Já António Leça Coelho, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), alertou para a necessidade de maior atenção aos riscos de incêndio.

"A segurança ao incêndio está muitas vezes esquecida. Há planos sísmicos, mas para incêndios muitas vezes não se tem noção do risco", afirmou o especialista, sublinhando que é preciso reabilitar as cidades para prevenir que situações graves como a do Chiado se possam repetir.

O incêndio do Chiado destruiu edifícios comerciais históricos como os Armazéns Grandella, os Grandes Armazéns do Chiado, a Pastelaria Ferrari e a Editora Valentim de Carvalho.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Adriano Moreira

O relatório do Conselho de Segurança

A Carta das Nações Unidas estabelece uma distinção entre a força do poder e o poder da palavra, em que o primeiro tem visibilidade na organização e competências do Conselho de Segurança, que toma decisões obrigatórias, e o segundo na Assembleia Geral que sobretudo vota orientações. Tem acontecido, e ganhou visibilidade no ano findo, que o secretário-geral, como mais alto funcionário da ONU e intervenções nas reuniões de todos os Conselhos, é muitas vezes a única voz que exprime o pensamento da organização sobre as questões mundiais, a chamar as atenções dos jovens e organizações internacionais, públicas e privadas, para a necessidade de fortalecer ou impedir a debilidade das intervenções sustentadoras dos objetivos da ONU.