Câmara tenta evitar greve durante santos populares

O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, disse este sábado que vai dialogar com os sindicatos para evitar a greve dos trabalhadores da recolha do lixo marcada para a semana dos santos populares, ponto alto das festas da cidade.

Os sindicatos representativos dos trabalhadores do Município de Lisboa entregaram na sexta-feira um pré-aviso de greve para a semana de 10 a 16 de junho, o que compromete os serviços de limpeza durante as festas dos santos populares.

À margem da apresentação das festas da cidade, que começam dia 1 de junho e que tem como ponto alto aquela semana, nomeadamente a noite de 12, com o desfile das marchas populares da cidade e véspera do dia de Santo António, o autarca socialista disse que a câmara "vai falar com os trabalhadores" e "ver o que se pode fazer".

António Costa admitiu que "até lá pode ser que se consiga resolver".

Também o presidente da EGEAC, empresa municipal responsável pela organização das festas, disse à agência Lusa "esperar que se encontre um consenso", porque, admitiu, "a cidade fica inabitável" se não houver recolha de lixo durante seis dias, principalmente em semana de festas.

"Há muitos arraiais e é normal que haja maior produção de resíduos. É uma situação muito complicada", afirmou Miguel Honrado.

Por outro lado, uma greve na recolha do lixo pode prejudicar a imagem da cidade e das próprias festas, que no ano passado foram elogiadas por media e guias internacionais como um dos melhores festivais do mundo.

"É complicado pelo impacto na imagem que os turistas levam, mas também para quem vive na cidade", disse.

Entre os motivos para a convocação da greve pelo Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa (STML) está a reforma administrativa da cidade, que reduz para 23 as atuais 54 freguesias da capital e prevê a passagem das competências de limpeza da câmara para as freguesias.

Segundo o sindicalista Vítor Reis "esta transferência de meios financeiros, humanos e patrimoniais" da Câmara de Lisboa para as freguesias "não é nenhuma vantagem para a cidade, nem para os munícipes", e "coloca em risco muitos postos de trabalho".

Já no ano passado, o STML convocou uma greve parcial entre 11 e 17 de julho para os cantoneiros e motoristas de pesados, transportes públicos, e de máquinas pesadas, ameaçando também a recolha de lixo durante as festas da cidade.

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