Bairro Alto pede que lojas fechem mais cedo

Moradores, comerciantes e freguesias do Bairro Alto pediram hoje ao presidente da Câmara de Lisboa a redução dos horários de funcionamento das lojas de conveniência da zona, que "aumentam a venda de álcool" e, consequentemente, "a violência na rua".

As associações de moradores e de comerciantes do Bairro Alto e as juntas de freguesia da Encarnação e de Santa Catarina, onde se insere aquela zona histórica - mas também de diversão nocturna - reuniram-se esta tarde com o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa.

"Tentámos concertar uma estratégia para resolver o problema do ruído e da violência provenientes do álcool na via pública. Sugerimos ao presidente a limitação dos horários de funcionamento das lojas de conveniência para evitar a venda de álcool mais barata", disse à Lusa o presidente da Associação de Moradores do Bairro Alto, Luís Paisana, no final da reunião.

Em Junho, António Costa colocou em período de audição pública uma proposta de limitação do horário de funcionamento das lojas de conveniência para que estas estivessem abertas entre as 8.00 e as 19.00 todos os dias da semana, antecipando em sete horas o encerramento destes estabelecimentos.

Na altura, o autarca salientou verificar-se que "estes estabelecimentos asseguram predominantemente a venda de bebidas alcoólicas a retalho, fazendo-o em garrafas de vidro, que os consumidores transportam e consomem na via pública", uma actividade que é "gravemente prejudicial para a segurança e saúde pública".

De acordo com Luís Paisana, "o presidente ouviu [as reivindicações apresentadas pelas quatro entidades presentes na reunião] e comentou que estavam a ser estudadas estas medidas, mas não adiantou nada em concreto" sobre as iniciativas nesta área.

O representante dos moradores afirmou que esta é uma preocupação também dos comerciantes, que "são muito afectados por estes estabelecimentos ilegais", que por venderem maior quantidade de álcool a preços mais baixos "dão cabo dos negócios" dos bares naquela que é uma das principais zonas de diversão nocturna da capital.

"Neste momento os comerciantes estão tão preocupados como nós em limitar o crescimento das lojas, porque traz violência, há rixas com as garrafas de vidro, que depois ficam no chão. Traz muita insegurança. E há dois ou três anos não se sentia nada disto, mas agora assim", adiantou.

As quatro entidades reunidas com a câmara defenderam também multas de 300 euros e maior fiscalização para a venda de bebida em vidro para a rua, bem como para a falta de higiene, ruído e violência.

No que diz respeito ao funcionamento dos bares e restaurantes do Bairro Alto, os moradores dizem que "não têm qualquer problema", desde que "funcionem com condições", como casas de banho abertas aos clientes e isolamento de ruído nos espaços com música durante a noite.

Na reunião com António Costa, foi ainda abordada a falta de mobilidade e os problemas de estacionamento no bairro, bem como "a danificação constante dos pilaretes" de entrada naquela zona, que "permite a quem não vive no bairro tirar lugares de estacionamento dos moradores".

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